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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

O grande vácuo de 2020

Para mim, 2020 acabou em março. Mais precisamente no dia 22 de março, quando depois de uma situação de medo provocada pela pandemia de covid-19 antecipei o fim da viagem que estava fazendo de férias ao sul do país (e que narrei em postagem aqui no blog) em uma semana e, após muita tensão, voltei a Manaus.

De lá para cá, o ano virou um grande vácuo. Nada aconteceu normalmente. Aliás, parece que nem aconteceu no nível da minha vida pessoal. Fiquei em home office até outubro, uma sorte que infelizmente nem todos os trabalhadores tiveram. Para encontrar os amigos, somente reuniões por bares virtuais que foram bacanas mas não vingaram depois. Muitas pessoas queridas perdendo a batalha para o coronavírus enquanto os negacionistas e os que minimizam a praga espalharam boatos ridículos, distorceram informações e agiram como criminosos em aglomerações que ajudaram a voltarmos aos poucos ao mesmo patamar do pior momento da pandemia.

Pensando hoje nisso, sinto um grande vazio entre aquele 22 de março e agora. É realmente como se o ano tivesse nunca existido. Um final de década (ou início de outra?) bem deprimente para quem em 2019 tinha tantos planos.

Como voltar à normalidade? Isso seria possível se todos tivessem consciência em seus comportamentos e não agissem como egoístas.

Voltei ao trabalho presencial no início de outubro, mas com restrições ainda no atendimento: funcionamento interno, acesso restrito do público apenas para audiências, sem acompanhamentos desnecessários, uso de máscaras e disponibilização de álcool em gel. Tem dado certo até agora sem maiores incidentes.

Mas o que ainda testemunhei: pessoas achando que por já tem ficado doentes poderiam agir normalmente sem usar máscaras, outros se vengloriando de participar de festas clandestinas, outros usando o ridículo e nojento argumento de que "toda pessoa agora só morre de covid" (aqui um total desrespeito e falta de empatia com a dor de quem perdeu pessoas queridas para esse vírus).

Em julho, perto do final do mês, fiz minha primeira saída de casa para visitar meus compadres, que haviam perdido a filha mais velha de 23 anos para o covid. A partir daí, consegui colocar alguma normalidade na minha rotina com reuniões eventuais sem aglomeração (máximo de cinco pessoas, comigo incluso) em espaços abertos, distanciamento e uso frequente de álcool em gel, tapetes com água sanitária e álcool líquido borrifado em roupas e cabelos, todo o tipo de segurança que daria para permitir o retorno a um pedaço do que era nossa vida antes da coronacrise. Entretanto, ninguém quer agir assim: o que importa é ir para lugares lotados, sem uso de máscaras, esfregando-se uns nos outros, rindo sobre milhares de cadáveres (milhões em nível mundial), levando o vírus para outras pessoas. Aí em supermercados vejo gente sem máscara ou com máscara segurando a queixada (de burro), ou mesmo pendurada na orelha ou com o nariz de fora. Sem contar quem não respeita a distância nas filas ou leva toda a família para as compras (nunca vi necessidade disso).

Em 2020 o nosso mundo somente piorou. O vácuo engoliu aquelas premissas de que a pandemia nos tornaria pessoas melhores. Algumas conseguiram. Outras só mostraram - e mostram - que não passam de egoístas estúpidos. Depois vem atrás de orações quando a coisa fica feia. Empatia não terão de minha parte. Desculpem, ainda não evolui e pelo jeito jamais o conseguirei.

Dedico esse desabafo aos que perderam a batalha contra esse vírus maldito:
Mylena de Azevedo Alcântara, afilhada
Bruno Cecílio, marido de uma colega
Robson Franco, amigo
Eledilson Colares, amigo
Heleno Oliveira, tio
E mais de 180 mil brasileiros que não estão tendo sua memória devidamente respeitada.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Jornalistas ou reprodutores de asneiras?

Editar uma reportagem é mais do que arrumar as ideias e "limar" o texto para adequá-lo ao espaço disponível no veículo impresso: é um tremendo exercício de paciência, uma sujeição aos mais tenebrosos crimes contra a língua portuguesa e até mesmo contra a lógica. Escrever bobagens, frases sem sentido e erros monstruosos não é privilégio da nova geração de jornalistas. Pelo contrário, é um problema existente há muito tempo, reflexo da má formação cultural do profissional. No entanto, parece que é uma situação que cresce cada vez mais, a ponto de eu dizer, sem medo algum de errar, que de cada cinco jornalistas em início de carreira (já ultrapassada a fase do foca), no máximo dois irão se destacar - e isso é muito, garanto.

Em minha experiência como editor (e lá se vão mais de 10 anos), tive contato com tantas bizarrices que criei arquivos de pérolas para posteriormente chamar a atenção dos repórteres para as loucuras que produziam: erros constantes de gramática, vícios de linguagem, palavras usadas sem sentido, expressões sem qualquer nexo, termos pejorativos e assim por diante. Foi uma forma de auxiliar no aprendizado. Atualmente, essas bizarrices conseguem se superar, e o que é pior: por mais que se chame a atenção, elas continuam.

Outro dia, lendo um texto, deparei-me com a seguinte expressão: "...o ato foi publicado no Diário Municipal da União (DMU)". Foi o que bastou para acabar com um dia inteiro de trabalho. Fiquei por muito tempo tentando desvendar o que o repórter imaginou para escrever algo assim, mesmo porque a matéria dizia respeito a uma iniciativa do governo estadual - triplamente errada a expressão, portanto.

Refletindo sobre isso, veio-me à mente os conselhos que sempre dei aos meus repórteres: leia, questione e, na dúvida, pergunte, porque pior que parecer ignorante diante de uma fonte é mostrar a burrice aos colegas e aos leitores - sim, porque entre a fonte e o público leitor, o editor refina esse festival de sandices. Ao que parece, a nova geração de jornalistas - com suas exceções, é óbvio - está muito ligada ao imediatismo e à apatia das notícias instantâneas que viraram lugar comum. Esses novos profissionais não tentam obter conhecimento além do que assimilaram - e mal - nos bancos das faculdades. Ouvem asneiras de suas fontes e as repetem sem pestanejar, sem questionar, colocando seu entrevistado no status de "autoridade inquestionável no assunto". 

Bom, aí temos um problema. Se a fonte falou "Diário Municipal da União", certamente estava distraído, pensando em outra coisa que talvez tenha provocado essa confusão de definições - o tal DMU só poderia ser concebido em uma mente insana. Agora, o repórter reproduzir tal asneira é algo muito sério. Qualquer um sabe que existem os diários oficiais do Município (DOM), do Estado (DOE) e da União (DOU), portanto ver algo estranho como um DMU só pode causar indignação.

O que falta a esses jovens (e nem tão jovens) é conhecimento crítico. É o mínimo que se espera de quem lida com opinião pública - isso e o domínio da língua portuguesa. Não lhes pode bastar apenas ler, absorver superficialmente as palavras: é preciso saber analisar o que se lê, atentar para o formato e o conteúdo, transportar-se de leitor para redator (e vice-versa, após a produção do texto). Seguir fórmulas batidas e ultrapassadas é o refúgio da incompetência, da falta de talento disfarçada por um falso glamour que ainda viceja no mercado jornalístico.

Jornalista é - ou pelo menos deveria ser - formador de opinião, não bajulador, preguiçoso, de pouco conhecimento, alguém que vira arroz de festa. Não se pretende, claro, que o profissional hoje saiba recitar Marx, Engels, Camile Paglia, Nelson Rodrigues nem mesmo Clarice Lispector. Mas, repito, é inadmissível não ter conhecimentos indispensáveis a um jornalista realmente antenado com instituições e cotidianos. Não entendo, por exemplo, como há jornalistas que não sabem onde fica o vulcão Vesúvio, a história de Armero ou nunca tenham ouvido falar nas Diretas Já. Pesquisa não é o forte dessa nova "fornada", obviamente, e o leitor que tente descobrir os fatos que antecederam a situação reportada na edição do dia.

O jornalista tem o poder da palavra, o dom de transformar a declaração sem retirar-lhe o sentido, tornar mais claro o texto. Repetir meramente o que a fonte declarou, com todos os seus absurdos, é reproduzir asneiras, é mostrar que jornalismo nada mais é do que uma infame forma de contar histórias a bel prazer, sem nexo, sem investigação, sem interpretação. O mercado há muito deixou de ser sedutor, atraente. É para quem realmente tem vocação - e ela não está em apenas escrever "de acordo" e "ainda de acordo". O jornalista é, antes de tudo, um mágico das palavras. Portanto, sinto muito, mas mediocridade aqui não tem espaço.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

'O que vimos em Coari foi uma barbárie'

Deputada federal Érika Kokay (PT) - Foto: Raphael Alves/TJAM

Por Isabella Siqueira, jornalista

Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes no país, presidida pela deputada federal de Brasília, Érika Kokay (PT), desembarcaram pela terceira vez em Manaus, na semana passada, para apurar novas denúncias contra o prefeito do município de Coari, Adail Pinheiro (PRP).
Segundo a parlamentar, o pior quadro de exploração sexual infantil já visto pelos membros da comissão foi em Coari e que mesmo após a prisão do prefeito, a situação na cidade ainda é calamitosa. Durante três dias no Amazonas, a comissão colheu depoimentos de vítimas, cobrou empenho do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), pediu ao Ministério Público do Estado (MPE) intervenção do município, além de realizar audiências públicas sobre o caso em Manaus e também em Coari.
No fim dos trabalhos, Érika Kokay classificou a Justiça do Amazonas de "frouxa" e disparou críticas contra a atuação dos desembargadores do TJAM. "O que se viu naquele município foi cena de barbárie e impunidade. Crianças e adolescentes sendo aliciadas de forma cruel. E o que mais nos espanta é que alguns já veem esse quadro com algo normal. Não iremos mais permitir isso", declarou a presidente.
A expectativa é que os trabalhos da comissão sejam finalizados em setembro, mas até lá a proposta é que o município sofra uma intervenção imediata para que Coari possa voltar a ter sua dignidade.
Confira a entrevista:

Como está o clima no município de Coari?
Érika Kokay - Existe um clima de terror naquela cidade que faz com que nos estejamos apresentando a necessidade de intervenção naquele município. Vi ali a reedição de Luiz 14, que dizia que "O Estado sou e a lei sou". A prisão do prefeito foi insuficiente para que pudéssemos assegurar um processo sem pressão e coação. Temos denúncia de ameaças de pessoas que estão sofrendo represálias porque relataram casos contra o prefeito. Estamos vivendo ali um pisoteamento do Estado Democrático de Direito.

Nesta terceira visita a Coari, como atuou a comissão?
EK - Não podemos ter a máquina publica sendo utilizada para esses fins. Fomos ver desde necessidade de uma intervenção, como também colher novos depoimentos. E nesta ida descobrimos que até mesmo os conselheiros tutelares estão sendo ameaçados. Tivemos conhecimentos de casos em que pessoas ligadas à administração municipal estiveram na sede do Conselho Tutelar para recolher dados de pessoas que estiveram naquele local para prestar denúncias contra o prefeito Adail. Isso é inadmissível. Vemos ali que a cidade continua aprisionada a uma onda de terror e uma concepção de utilizar a máquina pública para assegurar a impunidade e impedir o processo judicial de atuar de forma clara e limpa.

Diante dos trabalhos já executados pela comissão foram encontradas situações piores que as vistas anteriormente?
EK - Eu diria que nunca vimos tanta arrogância da barbárie que está se impondo naquela cidade. Para nós é um caso emblemático. Sabemos que iremos travar uma luta árdua nesta situação, mas iremos provar que a lei e a Justiça deverão prevalecer. De todas as nossas diligências já feitas em todo país nenhuma delas apresentou dados tão alarmantes como os de que Coari.

Esta é a terceira vez que a comissão foi a município, e da última vez que vocês estiveram lá foram hostilizados pela população. Nesta nova visita a recepção foi melhor?
EK - Fomos recepcionados por um clima de muito medo, vimos pessoas emocionadas, coagidas e vários depoentes chegaram a chorar de forma copiosa. Não tivemos manifestações contrárias ao nosso trabalho, mas percebemos que muitos ainda não têm coragem de denunciar essa questão.

Quem são essas pessoas denunciadas?
EK - É uma rede muito grande, que além do próprio prefeito envolve secretários e assessores diretos da gestão municipal que estão utilizando o seu cargo não para contemplar benefícios à população, e sim para assegurar impunidade ao coagir todos aqueles que buscam se opor a essa lógica. O pior é que esse esquema ainda continua. Mas, vamos convocá-las para que todas essas pessoas prestem depoimentos na CPI. Porém, precisamos que haja uma reação do Amazonas, por isso estamos apelando pela intervenção do município.

E quando deverá ser efetivada essa intervenção?
EK - Isso não depende da CPI e sim do Poder Judiciário. Mas vamos procurar provocar isso. Queremos mostrar que é urgente que se faça um processo de enfrentamento a essa barbárie que assola Coari. O nível de ramificação de utilizar a máquina pública em favor da impunidade é tão grande que se não tivermos a intervenção não teremos como recuperar o município.

Após a saída da comissão de Coari como irão ficar as vítimas que prestaram depoimento e agora sofrem ameaças?
EK - Algumas pessoas já estão em programas de proteção e vamos analisar a necessidade de incluir novos nomes. Porém, é preciso que o Estado e o Tribunal de Justiça do Amazonas assegurem a integridade física destas pessoas, que estão vivendo momentos de muita dor.

Quando podemos esperar o resultado da CPI?
EK - Era para o relatório final ser apresentado em maio, mas como surgiram novos fatos acredito que somente em setembro seja concluído.

A comissão já esteve outras duas vezes em Coari para acompanhar casos de pedofilia. Qual o resultado desses trabalhos anteriores?
EK - Percebemos que houve uma mudança da postura do Tribunal de Justiça. Na última vez que estivemos aqui percebemos que os processos estavam parados e dormitando nas gavetas dos julgadores. Temos os processos caminhando e a prisão do Adail e de pessoas ligadas a ele, mas claro que isso ainda é insuficiente.

Outros dois processos que não estão relacionados à questão da pedofilia, mas que envolve o prefeito Adail foram tirados de pauta do julgamento no TJAM porque eles já haviam prescrito. O que a senhora acha dessa morosidade da Justiça?
EK - Quando vemos um processo deste prescrever é uma dor danada, significa que a impunidade e a morosidade estão vencendo e que mais crianças podem estar sendo vitimadas. Isso é uma vergonha.

Qual o apoio da bancada do Amazonas à presença da CPI da Pedofilia no Amazonas?
EK - Nenhuma. Hoje, apenas a deputada Rebecca Garcia que tem participado de nossas atividades. Chegamos a chamar uma reunião com a bancada no ano passado e apenas dois parlamentares apareceram. Os outros alegaram que no mesmo dia em que agendamos esse encontro estavam em uma reunião com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Justificaram a falta e nunca mais fizeram contato conosco.

NOTA DO BLOGUEIRO: Esta entrevista foi aqui publicada a meu pedido, com autorização da jornalista.

sábado, 12 de maio de 2012

Povo imundo tem a desgraça que merece

Trabalhadores da Prefeitura de Manaus retiram lixo do igarapé do bairro São Jorge
(Foto: Clovis Miranda/Semcom/PMM)

Esta semana a atenção de todos foi chamada por fotos da cheia no Amazonas, com cidades do nosso interior sendo lentamente cobertas pelas águas dos rios. Na capital amazonense, a situação não é muito diferente, guardadas as devidas proporções, mas fotografias como essa que reproduzo aqui, de autoria do repórter fotográfico Clovis Miranda, da Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Manaus, revelam o auge de um problema que nos afeta há décadas, apesar de todos os esforços para resolvê-lo ou minimizá-lo: a falta de educação (para não dizer de civilização, mesmo) de parte da população.

No Facebook, uma colega jornalista comentou que, durante a operação de retirada do tapete de entulhos que praticamente ocultou os igarapés da cidade (principalmente garrafas pet e até mesmo eletrodomésticos velhos), vários moradores dos diversos cortiços às margens dos cursos d'água aproveitaram o trabalho dos garis para jogar seu próprio lixo na água, a fim de que fosse coletado. É a mentalidade do porcalhão preguiçoso: gosta de viver na imundície, polui tudo e não age corretamente para dar a destinação correta ao lixo que produz. Mais fácil para esse tipo de gente é sujar tudo, pois, em sua visão, há quem seja pago para fazer a limpeza pública. Só não passa por essa mente distorcida que sujeira acumulada pode ser carregada para outros lugares por animais de rua, transeuntes desastrados ou vândalos, chuva, vendavais ou veículos que trafegam na área (acidental ou propositalmente). O destino muitas vezes é o igarapé que recebe o esgoto da cidade. Os igarapés transbordam na cheia e o lixo contribui para, durante uma tempestade, afetar as estruturas dessas casas, causando seu desabamento e todas as fatalidades típicas de acontecimentos dessa natureza.

Fica difícil executar qualquer trabalho de conscientização ambiental quando nos deparamos com atitudes sem noção. As escolas podem incluir a questão nos seus currículos, as autoridades podem espalhar outdoors, caixas de coleta seletiva, espalhar folders, camisas de campanha educativa, mostrar com as tragédias quais as atitudes corretas a serem tomadas para o descarte do lixo e o respeito ao meio ambiente. Aí, a mentalidade do porcalhão acaba prevalecendo: as crianças são repreendidas pelos pais que não dão a mínima para o meio ambiente, outdoors são ignorados, caixas de coleta são destruídas por vândalos (quando não são roubadas), folders são jogados em via pública para se juntarem ao lixo acumulado, camisas viram pano de chão (ou usadas por flanelinhas para serem descartadas em via pública) e as potenciais vítimas de sua própria imundície preferem cobrar ajuda da prefeitura. Como se a administração municipal tivesse obrigação de bancar a babá dos imundos.

A equação fica de difícil resolução, pelo que se vê. E os fatores não são pessoas pobres, de baixa instrução. Se formos acompanhar friamente todos os elementos que participam dessa "Operação Sujismundo", veremos pessoas "bem nascidas", até mesmo ricas, dando sua parcela de contribuição, desde os molecotes e patricinhas que vão para a balada e jogam latas ou garrafas de bebida pela janela de seus carros até os que participam de raves e deixam o lixo acumulado a poucos metros dos lugares onde deveria ser jogado, passando pela dondoca que, do seu iate de milhares de reais, joga sacos, copos descartáveis e enlatados no rio.

A questão de respeito ao meio ambiente deixou há muito tempo de ser de classe social. Agora, com tantas campanhas de esclarecimento, com iniciativas para mudar esse quadro, o problema é de simples uso da inteligência, de QUERER ser educado. Quanto menos racional/educado se for, mais imundo você é. Quem se recusa a ser educado, merece ser arrastado pelos entulhos que joga na rua. Povo porcalhão merece a tragédia que ajudou a iniciar. A solução? Vamos radicalizar! Quando a legislação endurecer, até com prisão desses porcos, aí talvez as coisas comecem a melhorar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quem diz o que quer, ouve o que não quer

O rebu de hoje foi causado por uma notícia publicada no Portal do Holanda , a qual informava que o desembargador Aristóteles Thury, presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon), denunciou o advogado José Alfredo Ferreira de Andrade ao Conselho de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil -Seção Amazonas por usar os termos "vagabundos e preguiçosos" ao se referir aos servidores e juizes do Tribunal de Justiça do Amazonas em uma petição encaminhada à Corregedoria de Justiça.

Funcionários vagabundos e preguiçosos existem em qualquer empresa, pública ou privada, ou órgãos do governo em todos os seus níveis. O erro do advogado foi generalizar e jogar nessa vala comum trabalhadores e magistrados com trabalho sério e anos de dedicação ao serviço público no Poder Judiciário, faltando com o respeito a quem não faz parte do time da mamata. 

O nobre profissional deveria ter dado nome aos bois. Poderia ter dito quem são os vagabundos e os preguiçosos, quais são aqueles que só aparecem para bater o ponto e voltam para casa ou para onde quer que passem seu tempo para receber seu gordo salário no final do mês, defendidos pela sombrinha do parentesco ou laço de amizade com algum magistrado. No entanto, preferiu colocar todos na mesma panela, desrespeitando pessoas sérias. Deve ser repreendido e punido por isso. Como escreveu o desembargador em sua denúncia, "quem diz o que quer, ouve o que não quer".

terça-feira, 10 de maio de 2011

Jornalismo e língua portuguesa: uma relação de amor e ódio

Na semana passada, fui brindado no Twitter com o título de uma matéria de um jornal de Manaus que falava sobre “hipertenção”. Assim mesmo, com “ç”. Foi o suficiente para gerar críticas e sarcasmos. Foi uma pisada em falso, mas bem alarmante, bastando confirmar isso com a quantidade absurda de erros com os quais somos brindados. Vai da simples letra trocada em “hipertensão” ao singelo “há alguns dias atrás” ou “daqui há alguns anos”, passando pela bela separação de sujeito e predicado por vírgula (tipo “Fulano, depôs na delegacia e apresentou nova versão dos fatos”).

O que está por trás de tanto erro? Pressa, falta de pessoal para revisar, irresponsabilidade ou burrice, mesmo? Estou fora de redação há pouco mais de um ano. Enquanto lá estive, sempre tive cuidado também com essa parte, apesar de já ter dado um ou dois deslizes (garanto que foi por culpa do estresse no fechamento da edição, com notícias novas chegando, deadline estourando e coisas assim). Então, ainda não tenho a resposta para tamanha abominação. Fora dos jornais, acompanho os colegas repórteres que trabalharam comigo e fico satisfeito com seu progresso. Ainda bem que não são eles os autores desses atentados à ortografia e à gramática.

Não conheço os novos jornalistas das redações, nem seus hábitos de leitura ou estudos. Mas há um laço frouxo aí em algum canto que permite a repetição constante desses erros. O (teoricamente) formador de opinião precisa ser responsável tanto na apuração do fato quanto na sua escrita. Suas eventuais deficiências devem ser sanadas. Os revisores deixaram de existir? E os editores, qual sua função efetiva agora? E o maior responsável pelo produto apresentado diariamente nas ruas, o dono do jornal? Só contabiliza os números em se preocupar com a qualidade? É o que parece...

Ora, vamos parar com essa relação de amor e ódio com nossa língua portuguesa, curar essa Síndrome de Tiririca! Perguntar nunca foi demais. Pior é publicar uma aberração sem passar por um crivo seguro, e daí quem se orgulha de ser jornalista ainda não admite ser chamado de incompetente.

Vale a pena trabalhar no Judiciário?

Quando fiz o concurso público para o cargo de assistente judiciário no Tribunal de Justiça do Amazonas, em 2005, fui motivado pela necessidade de um trabalho fixo e seguro, já que comecei a ficar saturado e desmotivado com o “andar da carruagem” no jornalismo amazonense – um quadro que havia mudado muito desde que nele eu ingressara, em 1995, ainda estudante, tendo se tornado um meio de disputas desonestas, intrigas de colegas e beneficiamento de pessoas sem qualificação mas com uma “invejável” capacidade de “babar ovos”. O salário, para um homem solteiro, era – e ainda é – um atrativo à parte. Valia a pena arriscar? Trabalhar no Judiciário?

Desde que assumi minhas atividades em junho de 2007, participei de um momento especial. Fui o segundo funcionário da recém criada 9ª Vara Criminal, hoje o segundo mais antigo do quadro do Juízo. Em reconhecimento ao meu trabalho, fui indicado e ganhei uma função de assistente da diretora da vara, devidamente remunerado. Na parte financeira, não tenho do que reclamar, pois com tantos problemas  o Judiciário conseguiu aos poucos resolver uma série de pendências em relação aos seus funcionários.

Ainda temos muitas questões a resolver – a virtualização total das varas, uma meta perseguida há tanto tempo e ainda não integralmente implantada no TJAM e que seria fundamental para a agilização na tramitação processual e até mesmo da organização estrutural dos cartórios; a reestruturação física para termos um ambiente adequado de trabalho; a informatização integral das comarcas; e por aí vai. O que temos já é um avanço, considerando-se a situação encontrada quando ingressei no Tribunal em 2007: um cartório com poucos funcionários, processos se acumulando por falta de pessoal para auxiliar, falta de controle dos prazos, ausência de capacitação e outros.

Aí começaram as “porradas”: apesar de termos nosso horário estabelecido legalmente em seis horas diárias, passamos a trabalhar uma hora a mais, pois isso, segundo a visão do Conselho Nacional de Justiça, ajudaria na celeridade do Judiciário. Sete horas diárias sem direito a uma compensação salarial, pois conforme nosso Plano de Cargos e Salários, se por necessidade do trabalho o servidor permanecer além da carga normal, teria por direito o acréscimo de 25% no salário sobre o vencimento. Isso nunca aconteceu e certamente nunca vai acontecer. O Tribunal Pleno vai se reunir para decidir a nova investida do CNJ para “modernizar” a Justiça: o novo aumento da carga horária para os trabalhadores do Judiciário, que agora deverão trabalhar das 9h às 18h, “no mínimo” - espero que vejam que este horário já é seguido de 8h às 18h, sendo em esquema de plantão a partir das 15h (já o era antes, quando o horário era até as 14h. Enquanto isso, os problema estruturais do TJAM (e dos demais tribunais estaduais, diga-se de passagem) permanecem sem solução.

Não sei em que o CNJ se baseia para achar que aumentar a quantidade de horas trabalhadas vai ajudar a acelerar o Judiciário se a nossa estrutura continua problemática. Tomo como exemplo a 9ª Vara Criminal: temos quatro audiências por dia, mas é raro o dia em que todas acontecem. Por várias razões, há fracassos: os oficiais de Justiça estão sobrecarregados e não têm tempo para cumprir em tempo hábil as intimações; no caso de conduções coercitivas de testemunhas (aquelas que foram devidamente intimadas mas deixaram de comparecer ao ato injustificadamente, sendo agora levadas pelo oficial para a audiência), não há carro disponível para o cumprimento da diligência; as testemunhas deixam de comparecer quando são intimadas; os advogados não atendem as intimações; e uma série de outras causas que independem da boa vontade dos servidores.

Boa vontade, sim! Trabalhar no TJAM para mim foi encontrar uma forma melhor de ser útil, contribuir com a agilidade do Judiciário. Pelo menos em nosso cartório, os processos fluem normalmente porque as tarefas são bem divididas e há comprometimento, algo até estranho – para não dizer surreal – quando se trata de serviço público.

A questão do horário está em discussão no Tribunal Pleno. Vamos ver se, a exemplo do que tem acontecido até agora, essa imposição do CNJ vai ser aceita passivamente e sem questionamentos (apesar de o quadro de servidores demonstrar contentamento com essa possibilidade de aumento da carga horária) ou se, em uma atitude mais racional, o TJAM se recusará a atacar o problema pelo lado errado. Afinal, como se tem discutido nos corredores das unidades do nosso Judiciário, em nada a Justiça terá melhorias com funcionários sobrecarregados de trabalho mas ainda sem condições adequadas. Servidores insatisfeitos e falta de estrutura adequada vão resultar em uma Justiça mais ágil? Talvez somente na estranha equação do CNJ...

Depois de passada essa fase de tempestade, voltarei a perguntar: vale a pena trabalhar no Judiciário?

sábado, 26 de março de 2011

Amazonas e Piauí: vítimas da ignorância brasileira

Recentemente, as redes sociais mostraram seu poder de repulsa dos seus membros em dois episódios de total aberração cultural. A pérola amplamente divulgada no You Tube do jovem Thomas, do grupo Restart (mais um grupelho de visual bizarro, uma mistura de emo, Teletubbies e letras cheias de lugares comuns e com destino – espero que rápido – ao ostracismo, como qualquer modismo), sobre gostar de fazer um show “em” Amazonas (sic) mas sem saber se aqui no Estado havia civilização causou uma onda de aversão tão grande dos amazonenses que nem mesmo uma retratação (mais tosca do que a infeliz declaração) ajudou, e o show do grupo, programado para 1º de abril próximo em Manaus, foi cancelado. A empresa promotora divulgou uma nota ligando a decisão ao receio de manifestações prejudiciais à integridade física do grupo, mas corre a boca pequena que, na verdade, o fracasso nas vendas de ingressos seria o real motivo.

O segundo episódio, do qual tomei conhecimento ontem pelo Twitter, aconteceu quando um comediante chamado Marauê Carneiro se referiu ao Piauí como o “cu do mundo” no Facebook. A mesma fúria tomou conta dos piauienses nas redes sociais, tendo como consequência o cancelamento do show do tal comediante em Teresina e uma nota de repúdio de um parlamentar daquele Estado. Nem mesmo dizer que a frase jocosa era de autoria do comediante Juca Chaves foi remédio. Os tempos são outros. Fazer troça dos irmãos brasileiros agora é coisa séria.

Parece incrível que Norte e Nordeste sejam sempre vítimas desse tipo de coisa. No Norte, somos chamados de incivilizados, vivemos no meio do mato, compartilhamos espaços com jacarés e onças e coisas do tipo. No Nordeste, os habitantes são batizados de preguiçosos, cabeças chatas, subdesenvolvidos e por aí vai. Como alguém citou no Twitter, existe uma “sudestelização” (mais ou menos assim é a expressão), onde o conceito de desenvolvimento é bastante equivocado.

Na região Norte, temos a maior floresta tropical, uma fauna exuberante e uma natureza maravilhosa, apesar de não sabermos ainda explorar esse potencial turístico (coisas de políticas públicas, mas um dia o passo acerta). Quem dera dividíssemos espaço pacificamente com onças, jacarés e outros animais. Melhor que dividir com ladrões, traficantes, corruptos e maus policiais, porém isso é uma utopia. O Norte é assim. O Brasil é assim. Quando somos chamados de índios, o fato em si não é o que causa revolta – pelo menos no meu ponto de vista. A História mostra que os indígenas tiveram suas terras roubadas, ou seja, o Brasil começou a partir de um crime. Eles são os verdadeiros donos da terra. São os antepassados de milhões de brasileiros, então não haveria sentido em nos sentirmos ofendidos com isso. O que ofende é a forma jocosa como usam o termo. E depois surge das trevas da “jumentice” um garoto deslumbrado com a fama declarar sua burrice em público (o que é pior, cometeu uma gafe que nem a entrevistadora fez menção de corrigir ou refutar – talvez fosse tão burra quanto ele) e achar que somos igualmente burros ao falar de uma “edição mal feita” no vídeo. Pelo visto, pela falta de cultura, o nível de desenvolvimento educacional do híbrido emo-teletubbie não indica nenhum pouco de civilização. Como eu perguntaria ao meu amigo jornalista Luiz Otávio Martins, “de que pântano isso surgiu?”.

O caso dos nossos irmãos piauienses é um pouco diferente na forma da agressão, mas tem a mesma essência da falta de respeito. O Piauí tem povo trabalhador como em qualquer outro Estado, tem lugares que valem a pena ser conhecidos (como em todo o maravilhoso Nordeste) e possui habitantes extremamente cordiais (não conheço ainda o Estado, mas declaro isso com base no que conheço dos nordestinos – um povo incrivelmente hospitaleiro, pacífico e animado. Tenho conhecimento de causa porque sou filho de cearenses que chegaram ao Amazonas sem nada, fugindo da seca e do descaso com aquela região, batalharam e criaram família sem nunca esquecer suas raízes ou fazer pouco caso do lugar que os acolheu). Se realmente Juca Chaves usou a infeliz expressão divulgada pelo tal ator, foi em um tempo em que esse tipo de galhofa não era tão repercutida. Não havia redes sociais nem interação imediata entre as pessoas.

Restart e Marauê (que nome, hein?) sentiram o efeito “Twitbook” de sua ignorância. Todos os que se manifestaram nas duas situações, seja de forma cautelosa ou revoltada, merecem parabéns. Para o garoto do primeiro, é bom levar a sério os estudos. Para o segundo, recomendo buscar uma linha de humor mais inteligente. A força das redes sociais deve ir mais além, pois além dos preconceitos, há também os erros, injustiças e atos corruptos que merecem ser repudiados, precisam gerar uma ação coletiva, algo exemplar como o que aconteceu no Egito. O caso dos “artistas” ignorantes pode parecer uma futilidade brasileira, mas pelo menos é um começo. Falta cada um reconhecer em si esse poder de mudança.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O fascinante e curioso universo da canalhice

Jornalista Márcio Vieira lança no próximo dia 9 de abril seu livro "Teoria do Canalha", na Livraria  Valer

Por César Augusto

A infidelidade masculina tanto é criticada quanto incompreendida. É essa compreensão que o jornalista Márcio Vieira, 32, buscou ao escrever "Teoria do Canalha" (editora Valer, 81 páginas, R$ 10), a ser lançado na livraria Valer - rua Ramos Ferreira, 1195, Centro - no próximo dia 9 de abril, às 10h.

Apesar dos arrepios que o adjetivo pode causar no sexo frágil (?), não se trata de um guia ou uma obra que exalte a infidelidade do homem, como bem o frisou o autor. "É uma investigação cômico-filosófica que busca investigar os motivos e fundamentos de homens infiéis, identificados como canalhas, a partir de observações cotidianas", explica Márcio. "Busquei abordar o tema de uma forma teórica, procurando identificar os fatores que contribuem para a formação de um canalha e ainda tentando mostrar o ponto de vista desse grupo humano frequentemente criticado, mas raramente compreendido historicamente", afirma.

Foi na Psicologia que o jornalista buscou o seu referencial teórico e em autores como Michel Foucault ("História da Sexualidade") e Ana Beatriz Barbosa Silva ("Mentes Perigosas"), além de revistas especializadas e filmes.

Até o ponto final em "Teoria do Canalha", houve uma série de pesquisas iniciadas em 2006 e conversas diretamente com a "fonte" do tema. "Conheço muitos [canalhas], embora eu não seja um deles", adverte, aos risos. Foi na própria família que Vieira buscou a inspiração. "Meu pai tinha duas famílias e pelo menos três amantes que eu me lembro, quando era pequeno", conta. O pai de Márcio Vieira já faleceu, mas seus familiares aprovaram a ideia. "Minha mãe gostou bastante. Meus irmãos aprovaram a iniciativa, porém não se envolveram", conta.

O fato de um assunto de família gerar um tema de estudo poderia ser uma espécie de "exorcismo"? Para Vieira, talvez sim. "Sempre me intrigava o comportamento do meu pai. Por isso decidi estudar o assunto, porém procurei apresentar um livro ao alcance de todos", afirma. "Não se trata de um ensaio sobre psicologia. É um estudo mais secular, nada sofisticado, por isso também dou um tom de humor", acrescenta.

Como dificuldade nos aproximadamente quatro anos de elaboração da obra, Márcio Vieira cita apenas a falta de literatura sobre o assunto na forma no qual foi abordado. "Não se trata de um manual. É um ensaio, uma impressão sobre o fenômeno 'canalhista'", frisa. Resistências a um assunto assim? Claro, era de esperar quando se trata de infidelidade masculina, mas nada preocupante ou desestimulante. "Apesar de o tema suscitar um machismo inevitável, poucas mulheres não têm uma história para contar sobre seus desenganos e decepções sentimentais", aponta.

Aprofundamento
O envolvimento com um assunto de certa forma delicado aprofundou bastante o conhecimento de Márcio Vieira. "Vi que o comportamento do homem canalha heteroerótico envolve uma série de variáveis biológicas e culturais. Também percebi que muitas vezes nós, homens, somos muito cruéis e injustos com nossas companheiras. Temos que ter mais respeito pelas mulheres", declara.

"Teoria do Canalha" é o segundo livro de Márcio Vieira, mas o primeiro lançado no mercado. O primeiro, "Reston: o Mecenas do Empreendedorismo", de 2008, foi um resgate da história do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Amazonas e de um de seus fundadores, o empresário e economista José Carlos Reston, e ficou restrita ao sistema Sebrae no Brasil.

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e com passagens pelo jornal Diário do Amazonas e assessorias de imprensa diversas, Márcio Vieira é funcionário do Sebrae Amazonas desde 2007. Após a "Teoria...", está escrevendo um romance ambientado na periferia de Manaus, trabalho iniciado em 2006 mas agora em fase de conclusão. "Dei uma parada para fazer algumas pesquisas sobre violência urbana e li alguns livros reportagem para ter mais elementos de linguagem e simbólicos à disposição".

(Fotos: Divulgação)

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Restart e a banalização da burrice

Cada época tem uma peculiaridade. Em se levando a frase ao pé da letra, é de se ter pena da atual geração. O exemplo recente das declarações infelizes do Thomas, um dos garotos emos do Restart, que atiçaram a fúria dos amazonenses ao chamar o Amazonas de Estado sem civilização, sendo legal para o grupo fazer um show "no meio do mato", é uma prova disso. Obviamente o garoto não quis ofender abertamente os amazonenses, mas sua ignorância é digna, sim, de gerar revolta (o vídeo ainda está no Youtube, quem não viu pode acessar por esse link: http://www.youtube.com/watch?v=P6nPwb_L33c&lc=iP-9bRu0b7dPjmfjzaYIXp27o_M8FX3P8SQeCZR1WxY&lcf=cs).

Eu me pergunto que tipo de vida esses garotos levam (sim, porque no grupo devem ser homogêneos. Se houvesse alguém com um percentual ligeiramente superior de inteligência, certamente teria corrigido o Thomas). Talvez pensem que terão sucesso para sempre, com suas roupas de cores berrantes e visual bizarro (as cocotinhas acham o máximo, mas gosto não se discute; lamenta-se), agraciados pela eterna juventude. Por isso não valorizaram os estudos. Daqui a pouco estão se juntado ao cordão de ignorantes que também não sabem onde fica o Acre e acham que o Nordeste e o Norte deveriam ser separados do resto do Brasil.

A banalização da burrice é triste. Nas redes sociais, ao lado de quem xinga os rapazes pela sua ignorância ofensiva, há aqueles defensores sem argumentos, motivados somente pela beleza(?) da rapaziada. Para eles, o sucesso instantâneo importa, a formação cultural fica em sabe-se-lá-qual-plano. Por isso, hoje em dia, não ouço mais música atual, salvo pouquíssimas exceções. Fico com Legião Urbana, Paralamas, Blitz e outros grupos que souberam fazer música divertida, satírica e crítica sem serem ignorantes. Seus integrantes estão imortalizados. Os outros... quem são os outros?

O que me conforta é que o Restart, a exemplo de tantos outros grupos medíocres atiçadores da febre hormonal adolescente, vai desaparecer, da forma como os modismos medíocres tendem a deixar de existir. Pena que o estrago estará feito na mente de milhões, talvez irreversível. Mas, em terra que se idolatra o Big Brother e o funk de letras de gosto duvidoso, o Restart, infelizmente, ainda é rei, até passar o cetro da ignorância para seu sucessor. Que Deus nos ajude...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Se Belém, Goiânia e Florianópolis tivessem sido escolhidas para a Copa, a história poderia ser outra

Por Rodrigo Prada*

Nesta quarta-feira (2/3), o Portal 2014 apontou em relatório feito por sua equipe de reportagem que, dos doze estádios escolhidos para a Copa 2014, ao menos cinco devem virar elefantes brancos.

Definitivamente, o que mais atrasa o crescimento do Brasil é a falta de planejamento. O que mais ouvimos dizer hoje é que o grande problema da Copa 2014 serão os aeroportos. De fato serão. Mas quem não sabia que esse seria o maior gargalo do país, frente ao enorme desafio de prepará-lo para o maior evento de mídia do planeta?


As obras de que precisávamos não aconteceram. Teremos os puxadinhos... E a escolha das cidades, do ponto de vista de logística, não poderia ser pior.

Certamente não escolheram Manaus por conta da sua enorme tradição no futebol. Nem Cuiabá pela sua bem-equipada estrutura hoteleira. Ou Natal, pela força da iniciativa privada, capaz de, sem recursos públicos, erguer uma arena de futebol.

Se em 31 de maio de 2009, data em que a Fifa divulgou nas Bahamas a escolha feita pela CBF e governo brasileiro das cidades escolhidas, Belém, Goiânia e Florianópolis tivessem sido anunciadas, será que o risco de elefantes brancos seria menor?

Em 2008, fui assistir a um clássico manauara no Vivaldão, entre Rio Negro e São Raimundo. Sabem qual foi o público pagante? Exatas 198 pessoas. Com uma renda de R$ 4 mil. E isso dificilmente vai mudar...

No entanto, Belém, que disputava com Manaus o direito de sediar a Copa, foi preterida, mesmo tendo Payssandú e Remo como duas das torcidas mais apaixonadas do Brasil. Sem contar o estádio do Mangueirão, que é um dos mais belos e funcionais do país.

O grande argumento para a escolha de Manaus foi o marketing da Amazônia. Agora, será que os turistas vão gostar de ver igarapés poluídos, uma bagunça urbana com trânsito caótico e todas as mazelas da cidade? 


Florianópolis apresentou como proposta a reforma do estádio do Figueirense, com capital privado, para sediar a Copa.  No entanto, a escolhida Natal patinou até hoje para encontrar um modelo que fosse interessante para as construtoras.

Seu grande trunfo foi  proximidade da cidade com a Europa. Ora pois, em altura de cruzeiro, o aeroporto de Recife, por exemplo, está a 15 minutos de voo a mais. Mas o problema maior não é na chegada dos europeus ao país, e sim o transporte entre as cidades, principalmente de aviação executiva. E Florianópolis, com potencial esportivo, estádio privado e entre Porto Alegre e Curitiba, a uma hora de vôo de São Paulo, ficou de fora... Alguém consegue explicar?


Cuiabá ter optado por construir um estádio com arquibancadas removíveis não esconde o fato de que a capital mato-grossense terá um dos maiores elefantes brancos da Copa. Afinal, serão gastos mais de R$ 500 milhões em uma arena que jamais terá um uso proporcional a tanto investimento.


Situação oposta é a de Goiânia, que já possui um estádio incrível projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e tem torcida para enchê-lo, tanto do Goiás, quanto do Vila Nova e do Atlético-GO.


Em alguma coisa nossos governantes erraram. Ou foi na escolha das cidades, ou na falta de prioridade em melhorar os aeroportos, portos, hotéis e, principalmente, a mobilidade entre as cidades.


Para aquelas que foram as escolhidas – ocupando o lugar das preteridas -, não me levem a mal, pois é carnaval.

*Rodrigo Prada é jornalista, autor do estudo sobre Os Estádios Brasileiros e diretor do Portal Copa 2014. (Artigo enviado pela Mandarim Comunicação)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Péssimo exemplo de atendimento na terra das cachoeiras

Diferente dos outros anos, por razões orçamentárias, resolvi festejar meu aniversário de modo diferente: com três amigos, fomos para Presidente Figueiredo, a famosa terra das cachoeiras e do cupuaçu do Estado do Amazonas. Para mim, foi reencontrar as belezas naturais do município depois de ter posto os pés ali há 23 anos, ainda nos tempos do ensino médio, em uma excursão da escola.

Foi tudo perfeito nos locais onde passamos: o Parque do Urubuí com suas maravilhosas corredeiras e a Cachoeira da Asframa, que fica antes da entrada da cidade (R$ 20 por carro, um valor que vale a pena pagar para desfrutar tanta beleza!). Aí chega a hora do almoço: por sugestão de uma amiga, vamos à Churrascaria Paulistana. Local simples mas bem arrumadinho, bacana. No balcão do bar, umas dez plaquinhas da marca Visa. Logo, deduzimos, poderemos usar nossos cartões (detesto andar com dinheiro além do necessário, portanto meu negócio é usar o cartão de débito).

Começam os problemas no atendimento: o garçom anota nossos pedidos (uma matrinxã recheada e carne de carneiro), pedimos um guaraná de 1,5 litro e uma cerveja para nossa amiga. Um dos amigos pede que o garçom traga gelo. Muitos (e muitos mesmo) minutos e dois lembretes ("ei, ainda não trouxeram nosso gelo") depois, chega o gelo. A essa altura, havíamos terminado o guaraná. Pedimos outro, de 2 litros.

Chega a comida - a matrinxã veio simples, sem ser recheada. Minha amiga reclama ao garçom, que se desculpa, então, para compensar, ela pede outra porção de guarnição e cobra a macaxeira que não veio. Quanto ao carneiro, veio uma porção bacana, com duas costelas. É aí que constatamos: uma costela tem carne e gordura, a outra tem SOMENTE gordura. Mais uma reclamação. O garçom sai tentando disfarçar o aborrecimento, sem sucesso, após dizer que seria providenciada outra porção da carne do carneiro.

Enquanto a nova porção não chega, vamos comendo o que há - ah, e nada do outro refrigerante chegar, enquanto o gelo que demorou tanto está quase todo derretido (mas chegou antes que só ficasse a água no recipiente). A carne chega, saborosa, finalmente. Aborrecidos, pero satisfeitos.

Aí vem a parte que coroa toda a história: o pagamento. Eu tenho cartão de débito para pagar metade da conta, pois o dinheiro que trouxe também será para comprar algo emergencial durante o passeio, talvez na estrada. A outra metade pagarei em espécie. Minha amiga vai ajudar com uma parcela no cartão de crédito. Aí lá vem o garçom: a máquina do Visa não funciona, só aceitam Mastercard.

E agora? O dilema perdurou por pelo menos uns dez minutos: será que não conseguem usar a máquina do restaurante vizinho? Tem como usar outra máquina? Papo vai, papo vem, como viram que não teria jeito e que corriam o risco de deixar o almoço de graça para nós, trouxeram a máquina que, supunha-se, só funcionaria com Mastercard. Funcionou direitinho com o Visa. Tudo questão de tentar um pouco de boa vontade... Além do mais, se as máquinas não funcionavam, o correto seria colocar um aviso para os clientes terem ciência do problema. Assim, não teríamos perdido tempo ali...

Final feliz para nossa história, mas péssimo para a Churrascaria Paulistana. Ali não boto mais os pés quando voltar a Presidente Figueiredo, e faço questão de tornar isso público para ver se esse pessoal (e outros que possam agir da mesma maneira) cai na real e vê que o mau atendimento pode prejudicar seu negócio (e também prejudicar a cidade, que tem um potencial turístico incrível). Não só eles podem sair perdendo. Os moradores também...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Presidente do TJAM posterga direitos dos servidores da Justiça

O texto abaixo foi divulgado entre os servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas hoje. Há muito descaso por aqui e é bom que todos saibam o que exatamente acontece (não fiz as correções devidas. O material é bruto). Atenção no final que destaquei:

O Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Estado do Amazonas, no fito de defender os interesses da classe que representa, aguardou a posse da nova presidência do Tribunal de Justiça para entrar com o pedido de audiência no intuito de resolver pendências urgentes.

No dia 20 de julho de 2010, este Sintjam deu entrada no ofício de nº 001/2010 solicitando audiência para discutir 7 itens elencados no documento:

- Cumprimento de ordem judicial do RMS n° 20639/AM-STJ, de pagamento de gratificação de 50% sobre o vencimento básico dos serventuários de justiça;

- Atualização do vencimento básico dos serventuários de justiça aposentados pela extinta Lei nº 1.834-B/87, para equalizá-los aos serventuários em atividade;

- Cumprimento do PCCS, para enquadramento e promoção vertical e horizontal dos servidores, fato aguardado há mais de dez anos;

- Nomeação de novos membros para a Comissão Permanente de Avaliação do Servidor, para estudar o enquadramento e promoção dos servidores, assegurando ao Sintjam a participação de pelo menos 1 (um) membro indicado;

- Reajuste do auxilio alimentação para R$ 500,00;

- Reajuste salarial (data base), conforme prevê o PCCS;

- Reforma do PCCS, com encaminhamento de Anteprojeto de Lei à ALEAM prevendo a extinção do cargo de nível fundamental, permitindo que os atuais ocupantes possuidores de escolaridade de nível médio possam ser remunerados de acordo com tal escolaridade, bem como assegurar aos Escreventes Juramentados vencimentos de nível superior, independente da especificidade do bacharelado.

No dia 06 de agosto, o Sintjam reiterou o pedido de reunião com a presidência por meio do ofício n° 008/2010, a fim de garantir que a voz dos filiados fosse ouvida.

Entre o primeiro ofício e o efetivo encontro, decorreram 40 dias, tempo excessivo para um presidente que assumiu o cargo declarando preocupação em regularizar a situação do servidor que há anos se vê tolhido nos seus direitos e tem de amargar um pesado fardo: volume excessivo de trabalho sem o correspondente ganho financeiro compensatório.

A diretoria lamenta que os funcionários concursados, que entraram legalmente pela porta da frente do tribunal para ocupar suas funções sejam preteridos por contratados que, normalmente, têm como único elemento diferencial o apadrinhamento de “poderosos” sem apresentar competência que justifiquem seus altos vencimentos nem as vantagens concedidas. Outra classe que vem recebendo tratamento especialmente “cortês” é a dos bancos cujo interesse em defesa de seu capital está acima dos trabalhadores que estão envelhecendo e adoecendo por fazer valer o direito da sociedade sem receberem a mesma atenção da justiça que representam.

O encontro entre a diretoria do Sintjam aconteceu com o presidente do Tribunal de Justiça, João de Jesus Abdala Simões, acompanhado dos desembargadores Aristóteles de Lima Thury, Cláudio Roessing, de seu assessor Rony Frank Torres Stone e do chefe do Departamento Pessoal Marcelo Castelo Branco. O que a diretoria estranhou foi a ausência do chefe do Setor de Orçamento, Sr. Eduardo, que seria uma presença importante à medida que da sua pasta depende a maioria dos itens da pauta, entregue com um largo tempo de antecedência. O Chefe do Orçamento não foi convocado pelo presidente do Tjam.

Após mais de 3 horas de discussão aprofundada, o sindicato obteve os seguintes posicionamentos dos elementos da pauta:

O presidente fez exposição prolongada do desequilíbrio entre receita e despesa. Atualmente, o Tribunal de Justiça do Amazonas recebe repasse do Governo do Estado na ordem de R$ 19.750.000,00 (dezenove milhões e setecentos e cinqüenta mil reais) enquanto os gastos ultrapassam a cifra de R$ 22.300.000,00 (vinte e dois milhões e trezentos mil reais) mês. João Simões justificou à diretoria do Sintjam que desde que assumiu a presidência, adotou o corte nos gastos, o que já permitiu uma economia de mais de R$ 3 milhões, mas que ainda não é suficiente para assumir custos adicionais como o pagamento dos vencimentos e de todas as outras reivindicações que envolviam ganhos monetários aos servidores.

O presidente pediu colaboração aos sindicalistas, no sentido de que os trabalhadores da justiça apontassem pontos no orçamento do órgão onde fosse possível reduzir ainda mais os custos.

A Coordenadora Geral Eladis de Paula no sentido de contribuir com a presidência e com os desembargadores presentes que demonstraram desconhecer as contas minuciosamente, sinalizou os pontos abusivos:

- A dispensa imediata de todos os contratados, pessoas que desempenham funções sem integrarem os quadros da instituição representaria uma economia de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e 400 mil reais). 90% dessas pessoas foram contratadas como Analista Judiciário I com o salário de mais de R$ 5 mil;

- Corte nos valores pagos em comissões de R$ 1.000,00 para R$ 500,00;

- Redução dos valores pagos aos oficiais militares que prestam serviço nas unidades do Tjam, pois eles já recebem o soldo da corporação e com o adicional do tribunal, recebem no contracheque mais do que os funcionários da casa;

- Diminuição do valor de diárias dos desembargadores que atualmente recebem, segundo o próprio presidente, R$ 610,00 por cada dia de ausência no Tjam em outras cidades, representando a instituição. Enquanto um servidor que ganham em torno de R$ 3 mil, recebe pela diária apenas R$ 100,00 para custear as mesmas despesas que os desembargadores registram em viagem: pagamento de hotéis, alimentação e transporte;

- Contenção no número de viagens que devem se ater, exclusivamente, a representações de interesse da instituição amazonense. Situações como a dispensa de servidores para participar de encontros para engrandecimento pessoal sem retorno para o judiciário e a sociedade em geral devem ser banidas com o pagamento de diárias;

- Os únicos itens acordados pelo presidente foram a atualização do vencimento dos aposentados pelo número reduzido de beneficiados (em torno de 23) .e a nomeação de novo membro para compor a Comissão Permanente de Avaliação do Servidor. O Sintjam indicou a diretora de secretária do 4º Juizado Especial Civil, Elizabeth Brasil de Lima.

A reunião encerrou sem que nenhum dos itens que mais afligem a classe fossem resolvidos.

A diretoria do Sintjam salientou que no dia 14 de setembro irá a Brasília para se reunir com o ministro do Superior Tribunal de Justiça Geraldo Og Nicéas Marques Fernandes para discutir o teor do ofício n° 47/10-GP e que no retorno irá deliberar junto aos sindicalizados a solicitação de nova audiência ou não com o presidente do Tjam. A notícia postada no site do Tribunal de Justiça do Amazonas de que o segundo encontro acontecerá no dia 15 de setembro, não é, portanto, verdadeira.

O Sintjam conclama a classe a se fazer presente na assembléia geral que acontecerá no dia 21 de setembro de 2010, às 16:00h, na primeira convocação e às 16:30 h, em segunda convocação, no auditório do sindicato, localizado em prédio anexo.

A diretoria espera contar com o apoio da classe para que todos juntos dêem resposta ao desembargador Cláudio Roessing que durante a reunião do dia 31 de agosto declarou que os servidores da justiça são incompetentes, inoperantes e incapazes de assumir os cargos comissionados, por isso, a necessidade do Tribunal de Justiça de nomear pessoas estranhas ao quadro da instituição.

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...