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terça-feira, 30 de junho de 2020

LIVROS: "Treblinka", de Jean François Steiner (1967)

Em pouco mais de um ano de atividade a partir de julho de 1942, o campo de extermínio nazista de Treblinka, na Polônia, teve de 800 a 900 mil seres humanos assassinados nas suas câmaras de gás, a maioria esmagadora de judeus deportados dos guetos na execução da Solução Final. 

Quando o campo estava prestes a ser liquidado, ocasião em que os prisioneiros foram obrigados a exumar e incinerar os milhares de cadáveres das vítimas, um grupo iniciou uma revolta que deixou algumas centenas de sobreviventes que lograram escapar para as florestas, mas dos quais apenas 40 chegariam vivos ao final da guerra. 

É essa história que Steiner nos conta com base em entrevistas e pesquisas, trazendo a nosso conhecimento o funcionamento cotidiano de Treblinka, o desafio de sobreviver naquele inferno, os horrores testemunhados, a carnificina diária e a fantasia bizarra de um mundo novo que o comando do campo tentou criar, representado pelo falso relógio que marcava eternamente 3 horas na entrada do lugar. 

Steiner também nos revela toda a complexidade maligna dos "técnicos" da Solução Final em ludibriar e manipular suas vítimas nos guetos - o de Vilna é tomado como ilustração -, o uso dessa "fórmula" em Treblinka e como surgiram os primeiros lampejos da revolta, organizada aos poucos, assimilada por um comitê e adiada por várias ocasiões, até finalmente eclodir.

O romance de não ficção traz, por meio dos orquestradores da  revolta, fatos que rebatem a antiga crença de que os judeus se deixaram massacrar passivamente durante as perseguições nazistas. Em vez disso, situações dramáticas testemunhadas pelos prisioneiros que recebiam os comboios de deportados faziam brotar o sentimento de lutar para tentar sobreviver e levar a história do Holocausto ao mundo. 

Nota 4.5/5 no Skoob (26/06/2020).

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

SÉRIES: "The handmaid's tale" (2017)

Lançado em 1985, o livro "O conto da aia" (título original "The handmaid's tale"), de Margaret Atwood, é uma obra atemporal. Tanto o é que em 1990 foi adaptado para as telas (com Faye Dunaway, Natasha Richardson e Robert Duvall) e, este ano, ganhou uma versão em forma de série, lançada em abril passado pelo serviço de streaming Hulu, ainda indisponível para brasileiros. Mas a fama dessa nova adaptação chegou aqui primeiro, e por meio de downloads via torrent ou até mesmo em uma busca pelo YouTube e outros serviços de streaming, foi possível assistir uma das melhores séries já lançadas este ano.

O enredo de "The handmaid's tale" é apavorante: em um futuro incerto, as taxas de natalidade despencaram em todo o mundo, fato atribuído aos avanços tecnológicos e à depredação do meio ambiente. Nos Estados Unidos, instala-se uma teocracia totalitária e ultraconservadora, fazendo o país desaparecer para dar lugar à república de Gilead. Nela, revistas, celulares, televisores e outras modernidades deixaram de existir. Nesse mundo regresso, a doutrina cristã é imposta por meio do domínio sobre as mulheres, da perseguição a homossexuais ("traidores de gênero") e da institucionalização do estupro como forma de dar continuidade à espécie humana por meio das Aias - mulheres férteis que são recrutadas apenas com a finalidade de gerar filhos para seus senhores, com a conivência e a participação de suas esposas (teoricamente inférteis).

Nesse mundo pavoroso que remonta aos piores momentos da Idade Média, June (a excelente Elisabeth Moss, de "Mad men") é capturada ao tentar fugir para o Canadá com seu marido Luke (O. T. Fagbenle) e a filhinha de seis anos Hannah (Jordana Blake). A menina é levada e Luke é dado como assassinado pelo exército de Gilead. June perde seu nome e, após passar por um "treinamento" para se tornar Aia, transforma-se em Offred, pertencente ao comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) - daí o nome que faz referência à posse (De Fred) - e sua esposa Serena Joy (Yvonne Strahovski, de "Chuck"). Sob a ladainha diária de orações e o sexo forçado a cada mês na tentativa de gerar um filho para o casal Waterford, June/Offred conhece aos poucos a rotina das Aias, a opressão que passam nas mãos de seus "proprietários" e das Tias (as mulheres que recrutam e ensinam as Aias sobre suas novas "funções"),  e lida com o desespero da ausência de  de Hannah, levada para lugar incerto.
Alex Bledel (Emily) e Elisabeth Moss (June)
Na república de Gilead, os "traidores de gênero", os que resistem à nova ordem e os que cometem atos considerados como crimes na interpretação literal dos escritos bíblicos são executados (enforcados ou apedrejados) e tem seus cadáveres pendurados em vias públicas, quando não são mutilados - o que vale até mesmo para os próprios senhores de Gilead. Ao mesmo tempo em que testemunha esses horrores, June/Offred também toma conhecimento de um movimento clandestino de resistência, o May Day, por meio da Aia Emily/Ofglen (Alexis Bledel, em uma participação sensacional); reencontra sua melhor amiga Moira (Samira Wiley, a Poussey de "Orange is the new black"), também uma Aia; aproxima-se de Nick (Max Minghelia), motorista dos Waterford; e conhece também Rita (Amanda Brugel), uma Martha - como são chamadas as governantas dos comandantes - na casa dos Waterford. Tanto Moira quanto Emily são lésbicas, o que lhes expõe a mais perigos em Gilead.

"The handmaid's tale" tem, sim, um discurso feminista, mas, acima disso, é um alerta sobre a perda da dignidade humana diante de regimes totalitários que esmagam a liberdade individual e eliminam o livre arbítrio, mas não abrem mão de seus próprios "prazeres proibidos", tornando a nova república um verdadeiro regime de hipocrisia religiosa. Em seu cativeiro, June aos poucos começa a despertar e se utilizar de artimanhas arriscadas para tentar sair daquele mundo repressor irracional. Mas até aí ainda vai passar por situações constrangedoras e violentas nas mãos de Serena, da Tia Lydia (Ann Dowd) e dos Olhos (como são chamados os vigilantes de Gilead).

A primeira temporada teve dez episódios, nos quais flashbacks mostram o processo de extinção da república democrática dos Estados Unidos e as vidas dos personagens antes da mudança radical em seus destinos. A segunda terá três episódios a mais e deve estrear no primeiro semestre de 2018. Difícil vai ser controlar a ansiedade depois de tantas revelações e reviravoltas no season finale.

domingo, 19 de maio de 2013

Comentário: "A chave de Sarah" (Elle s'apelant Sarah/Sarah's Key, 2010)

Julie Zérac (Kristin Scoth-Thomas) no Museu do Holocausto: segredos em família
Em julho de 1942, Sarah Starzinsky (Mélusine Mayance) e seus pais foram presos pela polícia francesa que arrebanhava todas as famílias judias na Paris ocupada pelos nazistas para enfurná-los durante dois dias em condições deploráveis no Velódrome H’iver (Velódromo de Inverno), primeira parada antes do envio da capital francesa ao campo de extermínio de Auschwitz, no sul da Polônia invadida pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a pequena leva consigo a chave do armário onde trancara o irmãozinho Michel, em uma atitude desesperada de salvá-lo de um destino até então desconhecido.
Imagem real dos judeus aprisionados no Velódrome H'iver, em 1942

É a história da menina judia, contada em “A chave de Sarah” (Elle s’apelant Sarah/Sarah’s key), do diretor Gilles Paquet-Brenner, que irá marcar, mais de 60 anos depois, a vida da jornalista Julie Zérac (Kristin Scoth-Thomas), empenhada em escrever uma reportagem sobre o episódio que mostrava o colaboracionismo francês para a execução do Holocausto. Suas pesquisas acabam mostrando que a tragédia de Sarah e sua família acaba, no final das contas, tendo uma ligação direta com a própria história de Julie, casada com o arquiteto Bertrand Zérac (Frédéric Pierrot) e mãe de uma adolescente, e agora prestes a descobrir uma gravidez inesperada em plena maturidade. 
 
O apartamento dos pais de Bertrand, Julie descobre, era ocupado pelos Starzinsky até serem presos e deportados. A partir dessa descoberta, a vida da jornalista se firma em uma obsessão na busca do destino de Sarah e seu irmão Michel – o casal Starzinsky, eventualmente, foi assassinado em Auschwitz com outros 75 mil judeus franceses durante a Segunda Guerra Mundial.

A família Starzinsky capturada em Paris: episódio vergonhoso
“A chave de Sarah” expõe, além do colaboracionismo francês com as perseguições nazistas, os traumas que ficaram para os sobreviventes – a exemplo de “A escolha de Sofia” (1980), de Alan Pakula – e para quem se envolve na história. Na busca pelo destino de Sarah, Julie acaba descobrindo vários segredos envolvendo a família do marido.

O filme não traz elementos comuns a outros com o mesmo tema. Somente as cenas do Velódrome, onde os 13 mil judeus franceses foram aprisionados, e do campo de transição de onde foram gradualmente enviados para Auschwitz – exibidas no prólogo e entrecortadas com a narrativa da busca de Julie - tratam diretamente do Holocausto. A reflexão aqui cabe não apenas ao papel dos franceses e suas autoridades com a Solução Final, mas também à necessidade de que a enormidade de um dos crimes mais monstruosos do século 20 não seja esquecida. Em uma das cenas, dois jovens jornalistas demonstram total desconhecimento a respeito do episódio do Velódrome, não documentado pelos nazistas. O esclarecimento vem da própria Julie: “não foram os alemães”. Ou seja, a barbaridade até então estranha ao comportamento francês começa a ser revelada. E isso vai afetar profundamente a vida de Julie.

Publicado no caderno Plateia, jornal Amazonas em Tempo de 19/05/2013

terça-feira, 12 de junho de 2012

Comentário: "Amém" (Amen, 2002)

O oficial nazista Kurt Gerstein foi uma das testemunhas do processo de extermínio das populações "indesejáveis" (principalmente a judaica) da Europa sob ocupação do Terceiro Reich, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Seu depoimento escrito foi conhecido após o final do conflito e com a descoberta (aliás, confirmação) das atrocidades do regime de Adolf Hitler, principalmente a máquina genocida movida contra judeus, ciganos, homossexuais e outras minorias consideradas inferiores sob o ponto de vista da "raça ariana superior". Gerstein foi o responsável pelo desenvolvimento do Zyklon B, produto criado para utilização sanitária mas que teve o uso desviado para o assassinato em massa nos campos de extermínio. Diz a História, também, que o oficial tentou levar a conhecimento do Vaticano as barbaridades cometidas pelos carrascos após testemunhar o uso do produto nos campos de Belzec e Treblinka, dois dos centros de matança daquela época.

Kurt Gerstein (Ulrich Tukur, à direita)
A história de Kurt Gerstein e da inércia da Igreja Católica diante do Holocausto é contada no filme "Amém", dirigido por Costa-Gavras em 2002. Após ver a morte de famílias judias inteiras nas câmaras de gás de Belzec, o oficial, interpretado por Ulrich Tukur, tenta levar as informações sobre o fato ao Papa Pio XII (Marcel Iures), encontrando apoio no padre Ricardo Fontana (Mathieu Kassovitz). No entanto, interesses políticos impedem uma posição do Vaticano a favor dos perseguidos, e assim a Solução Final segue em andamento, até quando os judeus de Roma começam a ser arrebanhados para deportação aos campos de morte.

Ricardo Fontana (Mathieu Kassovitz)
Não há cenas típicas dos filmes sobre o tema do Holocausto, restringindo-se a trama às relações entre a Igreja Católica e o Terceiro Reich. O extermínio dos judeus é sugerido pelas imagens de trens de gado partindo fechados para os campos e retornando abertos e vazios, bem como da visão de Gersten, à distância e à noite, da tentativa dos criminosos de esconder os vestígios do assassinato em massa, desenterrando e queimando os cadáveres de suas vítimas. Porém, o filme ainda faz menção a um fato pouco explorado na história da ditadura nazista: o programa de "eutanásia" executado antes da Segunda Guerra Mundial na Alemanha, no qual milhares de cidadãos portadores de algum tipo de deficiência (mental ou física), independente de raça ou nacionalidade, foram eliminados em diversos centros médicos, asfixiados por monóxido de carbono, em nome da "purificação" da raça e como uma prévia ao que aconteceria anos depois em lugares como Auschwitz, Treblinka, Belzec, Chelmno e Sobibor. Enquanto houve posições enérgicas da Igreja Católica quanto às "mortes misericordiosas", o silêncio foi total quando a Solução Final estava a pleno vapor na década seguinte. 

O filme deixa em aberto uma espécie de cumplicidade da Igreja na cena final, com o passeio em uma tarde pós-guerra da liderança religiosa com o carrasco nazista. É o ponto em que Costa-Gavras alfineta a omissão do Vaticano, cujo impacto viria a ser minimizado décadas depois com o pedido de perdão do Papa João Paulo II à comunidade judaica pelas perseguições históricas executadas pelo Cristianismo, das quais a Inquisição e o Holocausto podem ser considerados os expoentes máximos.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Comentário: "Amarga sinfonia de Auschwitz" (Playing for time, 1980)

Em uma das cenas de "Amarga sinfonia de Auschwitz", Fania Fenelon (Vanessa Redgrave) grita para as outras prisioneiras que está cansada de rótulos e é apenas um ser humano. É um dos diversos momentos de destaque desse telefilme de sucesso de 1980, baseado nas memórias de Fania Fenelon (1908-1983), judia francesa e cantora deportada para Auschwitz no início de 1944, após ser denunciada também por ser membro da Resistência durante a ocupação nazista.
Vanessa Redgrave interpreta a cantora e membro da Resistência Fania Fenelon

Ao entrar no universo de vida e morte de Auschwitz, o mais famoso campo de extermínio da Segunda Guerra Mundial, no sul da Polônia ocupada pelos nazistas, Fania passa a fazer parte da orquestra de mulheres (judias ou não) do local, que faz apresentações para seus carrascos e para os prisioneiros judeus recém chegados ao lugar e selecionados para a morte nas câmaras de gás. Os dilemas em nome da sobrevivência são muitos. Alma Rosé (Jane Alexander), a regente da orquestra, é uma mulher judia rigorosa com as companheiras a ponto de parecer em alguns momentos estar alheia à carnificina diária promovida pelos nazistas, e com quem eventualmente Fania tem diálogos duros sobre suas ações. Transportada juntamente com Fania para o campo, Marianne (Melanie Mayron) também entra para o grupo, mas recorre à prostituição para obter comida. Por se considerar meio judia pelo fato de sua mãe ser católica, Marianne dá-se o direito de usar meia estrela de Davi em sua roupa, como se fosse uma garantia ainda que insuficiente de sobrevivência, pelo que é criticada pelas demais prisioneiras.
Jane Alexander como Alma Rosé

O filme revela uma atmosfera meio que surreal do campo de Auschwitz, célebre pelas altas cifras de mortes de judeus, ciganos, opositores do regime nazista, homossexuais e outras minorias perseguidas. A líder do campo Maria Mandel (Shirley Knight, que apareceu recentemente como Phyllis, a sogra de Bree Van De Kamp, personagem de Marcia Cross em "Desperate housewives") é uma carrasca brutal que espanca os prisioneiros e toma para si o filho pequeno de uma judia condenada à câmara de gás. No entanto, é uma mulher que pessoalmente procura um par de sapatos que sirva para a recém chegada Fania, colocando-os em seus pés, e não esconde sua dor ao ser obrigada a entregar à morte o menino que tirara da mãe prisioneira. O dr. Mengele (Max Wright, conhecido pelo papel de William Tanner na telessérie da década de 1980, "Alf, o E.Teimoso") revela sentimentos de compaixão e amor, a despeito de o personagem real historicamente ser conhecido pelas experiências bárbaras realizadas em Auschwitz e também responsável pelas seleções para o extermínio. Sobressaindo-se a esse lado humanizado da figura do carrasco, seu caráter evidenciado pela História volta a surgir, ao determinar que a orquestra feminina ensaie uma apresentação musical para um grupo de prisioneiros formado por doentes mentais sob o pretexto de estudar as suas reações à música. Logo depois, todas as pessoas seriam executadas nas câmaras de gás.
Shirley Knight como Maria Mandel

É nessa luta pela sobrevivência que conflitos morais são colocados em evidência pelas prisioneiras em sua luta diária para terem suas vidas poupadas. Há momentos de grande esperança: em uma das cenas, um dos prisioneiros judeus aproxima-se de Fania e lhe mostra a palma da mão, onde está escrito "Os aliados desembarcaram na Normandia"; em outra, as prisioneiras comemoram a fuga de uma judia influente, Mala, interpretada por Maud Adams, de "007 contra Octopussy", crentes de que ela e seu amante Edek (Lee J. Nelson) poderiam revelar ao mundo as barbáries de Auschwitz. No entanto, tais esperanças logo são destruídas: aviões que sobrevoam a região são abatidos pela artilharia antiaérea nazista, e Mala e Edek são recapturados e enforcados em frente ao barracão das prisioneiras. O pesadelo se arrasta até a morte de Alma Rosé, envenenada por uma guarda nazista que preferiu matá-la a deixá-la sair de Auschwitz para o front onde cantaria para soldados alemães (pela afronta aos superiores, a guarda foi fuzilada). Única garantia de vida para todas as mulheres da orquestra, sua perda significava incerteza para o grupo, que passa a ter sua liderança disputada entre Fania e a polonesa Olga (Christine Baranski, que apareceu como mãe do nerd Sheldon em "The Big Bang Theory"). Parte das mulheres sobreviveu até o dia da libertação.
O elenco da orquestra de Auschwitz

Na história real de Fania Fenelon, Auschwitz foi evacuado com a aproximação dos aliados e as prisioneiras foram levadas a Bergen Belsen, onde a libertação chegaria em abril de 1945. Das cerca de 80 componentes do grupo, 47 sobreviveram ao Holocausto. Maria Mendel foi presa, condenada por crimes contra a humanidade e executada em Cracóvia, Polônia, em 1948. Fania escreveu suas memórias e morreu de câncer em Paris, em 1983. Sua história não é somente um retrato da brutalidade das perseguições na Europa nazista representada por Auschwitz e seu duro leque de dilemas, mas também de esperança e luta.


Onde baixar: Filmes Cult

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...