quarta-feira, 5 de agosto de 2026

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)



 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e séries que os retratam como exemplos de dignidade, empatia e heroísmo na luta contra o Mal e em defesa da humanidade. Quando "The boys" surgiu no mundo das HQs, inaugurou uma subversão total desses valores: agora os heróis tem todos os traços de humanidade, principalmente os negativos, sendo corruptos, depravados, psicopatas e assassinos em potencial.

A série de televisão lançada pela Amazon Prime Vídeo em 2019 e encerrada recentemente, em junho, apresentou aos telespectadores assinantes esse universo anárquico repleto de sarcasmo e sátira social retratado com extrema violência gráfica e sexo bizarro. A premissa por si é uma porrada seca: os super heróis não vieram de outros planetas ou são descendentes de seres superiores do passado da humanidade, mas sim seres humanos que desenvolveram poderes a partir de experiências químicas com um composto (chamado Composto V) realizadas em si ou seus pais por um conglomerado empresarial ganancioso e corrupto, a Vought Corporation, cujos executivos manipulam com eficiência a opinião pública americana a favor de suas criações. Na realidade, fazem o jogo sujo em fabricar uma vitrine de heroísmo, ufanismo e moralidade que não existem, tudo em nome do poder e do lucro.

O grande chamariz desse grupo que congrega os melhores heróis - os Sete - é o Capitão Pátria (Homeland, no original), interpretado de forma fantástica pelo ator britânico Antony Starr, uma mistura de Super Homem e Capitão América, que tem a capacidade de voar, ouvir a longas distâncias e ter uma força descomunal, mas sendo os raios emitidos pelos seus olhos o maior e mais temido dom, pois são capazes de despedaçar objetos e pessoas em segundos. Idolatrado pelo público, Pátria não passa de um "super" (como são chamados) carente de afeto de tal maneira que domina e manipula os que estão ao seu redor pelo medo e tem o bizarro fetiche de tomar leite materno armazenado em garrafas ou direto da fonte. No decorrer da história, fica evidente que sua perturbação psicológica tanto o torna mais temido quanto dá margem para que seja eventualmente derrotado, já que sua arrogância e agressividade aumentam cada vez mais.

Na outra ponta, estão os The Boys, um grupo de humanos comuns que por motivos diversos se uniram para tentar derrubar a Vought e acabar com o domínio dos "supers". Eles são liderados por Billy Bruto (Butcher no original), interpretado por Karl Urban, que tem uma rixa pessoal com Pátria por conta de um passado em que o "super" provocou a morte da paixão de Bruto, Rebecca (Shantel Van Santen) - entretanto, ele descobriu que ela estava viva, havia sido estuprada por Pátria e gerou um filho que começaria a desenvolver os poderes herdados do pai, vivendo escondida com a criança após simular a própria morte.

Francês, Leitinho, Billy Bruto, Hughie e Kimiko: resistência contra a Voight e seus falsos heróis

 Junto a Bruto estão o Francês/Frenchy, um ex-assassino da máfia russa, e Leitinho/Mother´s Milk, interpretados, respectivamente por Tomer Capone e Laz Alonso. Logo irão se juntar ao grupo Hughie Campbell (Jack Quaid), que teve a namorada morta acidentalmente em sua frente pelo "super" Trem-Bala/A-Train (Jessie Ucher), um equivalente ao Flash, dotado de uma altíssima velocidade, durante  uma perseguição a um assaltante, simplesmente colidindo com a moça e pulverizando seu corpo; e Kimiko (Karen Fukuhara), inicialmente única "super" da turma, que tem o dom da imortalidade, força extrema e poder de regeneração de ferimentos. 

Apesar das opiniões divergentes sobre o episódio final da série, não tem como deixar de considerar "The boys" como um marco no entretenimento por conta de sua trama anárquica, satírica e que subliminarmente traz um espelho da sociedade dos tempos atuais com suas referências a idolatria de figuras, controle de opinião e mobilizações escusas com base em mentiras ao melhor estilo Joseph Goebbels, o cupincha de Adolf Hitler que lá nos anos 1930-1940 teria apregoado que uma mentira contada mil vezes se tornava uma verdade.

Pois é isso que "The boys" nos apresenta com seus exageros e situações por vezes bizarras e extremamente violentas. E exatamente por isso vale uma boa olhada!

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