Mostrando postagens com marcador Norte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Norte. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de maio de 2022

VIAGEM: Macapá (09 a 14/04/2022)


Dentro da minha meta de conhecer meu país todo, escolhi dessa vez o Amapá por conta de sua proximidade com Belém, por onde havia começado a viagem. Claro que nem tudo saiu como planejado, pois deixei de ir a alguns lugares, culpa do tempo chuvoso que deixou as águas do rio Amazonas agitadas - e apesar de morar praticamente cercado de rios e saber nadar, não tenho o hábito de viajar de barco, portanto de imediato já decidi retornar durante o verão amazônico, com mais sol e poucas chuvas.

Macapá, a capital amapaense, me agradou à primeira vista. É uma cidade média, de pouco mais de 500 mil habitantes, pouco verticalizada, com todos os problemas comuns a uma cidade brasileira mas com uma tranquilidade maravilhosa que me permitiu caminhar com segurança por suas ruas. Como Macapá tem traçado todo quadrangular, as ruas são muito parecidas umas com as outras (exceto as principais que possuem coretos que dividem as duas pistas), então usei o método de sempre adotar um ponto de referência por onde eu passasse (um estabelecimento comercial, uma praça, uma determinada casa). E, claro, ajuda do Google Maps.

E o aeroporto da capital? Pequeno, com três pontes apenas, mas novinho, muito bonito e aconchegante. Uma lição no aeroporto de Belém, que parece ter sido largado de lado (uma vergonha para uma cidade de 2 milhões de habitantes e uma das maiores do país).

Vamos a Macapá!

ORLA

Minha primeira parada depois que meu amigo Raimundo Barros foi me apanhar no aeroporto, vindo de Belém (35 minutos de voo em média) - somos contemporâneos da Universidade Federal do Amazonas e, depois de formado, em 2000 ele voltou à sua terra natal, e fazia 22 anos que não nos víamos. A orla é o ponto principal para caminhadas e passeios de bicicletas, além de em vários pontos haver restaurantes, bares e lanchonetes. O Araxá é uma parte desse complexo que reúne a gastronomia local.

Ao longo da orla há mirantes, ciclovia, parques onde os frequentadores podem descansar e apreciar a vista do rio Amazonas. A Casa do Artesão Amapaense ainda estava com obras de revitalização em andamento, mas o prédio principal estava funcionando para compra de artesanato - os feitos com manganês são os mais lindos, com seu brilho característico na superfície negra. Esse trabalho visa integrar toda aquela região que abrange até o trapiche Eliezer Levy, que infelizmente estava temporariamente fechado.


Falando em gastronomia, o carro chefe local é o camarão no bafo, feito apenas com sal e chicória. Uma verdadeira delícia acompanhada por farofa (a farofa de soja é a que mais recomendo como acompanhamento), ao custo médio de R$ 50 (abril/2022). O açaí pode ser adquirido na orla diretamente com os produtores na Rampa do Açaí (como minha cota de compras esgotou nesses dias em Macapá, com camarões que comprei no Shopping Popular da cidade - 25 reais o quilo do camarão regional cru, uma pechincha - e as cervejas artesanais e o queijo de Marajó que havia comprado em Belém, não sobrou espaço para comprar o açaí - apesar de ser um produto que é facilmente encontrado no Amazonas, é interessante experimentar nos Estados vizinhos, pois há pequenas diferenças de textura e até mesmo de sabor).



FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ

Macapá é uma cidade com raras edificações históricas, e a Fortaleza de São José de Macapá, na orla, se destaca como ponto turístico. Construída no século 18 dentro dos projetos de defesa do então império, ela foi tombada como patrimônio histórico e cultural, passando por reformas. Mas ficou evidente que uma nova revitalização é necessária: algumas placas estão apagadas, ficando difícil para o visitante identificar claramente o que está sendo visto. Além disso, segundo meus amigos macapaenses, um parque ao redor da fortaleza acabou praticamente abandonado nos últimos anos, um verdadeiro pecado.

Uma pequena saleta guarda diversas maquetes e quadros sobre a fortaleza. Apesar do aspecto de relativo abandono (mato não aparado em algumas partes, pintura descascando, ferrugem e as já citadas placas apagando), de um modo geral a fortaleza mantém seus traços originais. Ela está aberta para visitação de terça a sexta-feira, a partir das 9h, com acesso gratuito, e pode ser feita uma pequena contribuição voluntária para ajuda na manutenção da estrutura.














MERCADO CENTRAL


Em frente à Fortaleza de São José, o Mercado Central,  inaugurado em 1953, passou por uma revitalização e foi reinaugurado em 2018. Em dois andares, é possível ao visitante comprar produtos diversos como plantas medicinais e guloseimas. Também na parte central há diversos restaurantes com comida caseira muito gostosa com preços que variam de 15 a 25 reais, uma boa economia para quem deseja comer sem perder um dos olhos ou dos rins.

(É algo que aprendi em 12 anos de viagens anuais de férias pelo Brasil: viajar não significa luxar, então comida caseira continua sendo a melhor opção para economizar, ficando a "ostentação" para um dia apenas durante a viagem)





CURIAÚ

A poucos quilômetros de Macapá, o balneário Curiaú me encantou com suas águas transparentes e mornas. Ele fica numa região de quilombo, mas apesar da beleza está carecendo da devida revalorização após um período de esvaziamento provocado pela pandemia de covid-19. 

Um dos lugares pelos quais passei ali naquela região tem uma plataforma sobre a água, magnífica para banho, com um mas infelizmente com o isolamento social e esvaziamento, ficou abandonado, o que provocou deterioração das barracas, representando risco para quem passa por ali. Mas há outros restaurantes com plataformas para banho que aos poucos começam a receber visitantes. Espero que em minha próxima visita ao Amapá tenha sido feito um trabalho de recuperação e valorização daquela área.




MUSEU SACACA

O Museu Sacaca traz um pouco da vida amazônica e da cultura amapaense. A entrada é gratuita, e ele só não abre às segundas-feiras. 

O deslocamento pelo interior do museu a céu aberto é feito por meio de passarelas em alguns trechos. Há uma lanchonete e venda de artesanato (mas muito tímida, preferi a Casa do Artesão Amapaense, com mais variedade).

Além de espécies da flora local, há representações da vida ribeirinha, com reprodução de casas e costumes, como as parteiras.













MARCO ZERO DO EQUADOR

Macapá é cortada pela Linha do Equador, e por conta disso foi erguido um monumento que indica o local exato onde essa linha imaginária divide os hemisférios norte e sul do planeta. O local é simples, mas não deixa de ser uma visita interessante. Em certo espaço, colocando um pé de cada lado da faixa diante do monumento, você pode dizer que está com um pé em cada hemisfério da Terra. É uma visita muito divertida, com certeza. Ainda há uma pequena loja de artesanato, também, e a entrada é gratuita. Só não abre às segundas-feiras.






FAZENDINHA

A Fazendinha fica no município de Santana, e trata-se de uma orla bem estruturada na margem do rio Amazonas. Há restaurantes e bares para todos os gostos, e a pedida é ir no entardecer, quando se tem uma vista linda da despedida do sol.





O QUE FALTOU

Macapá ainda possui o Bioparque da Amazônia, mas deixei de ir porque, na minha visão, trata-se de uma reserva nos moldes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus, e ainda que desejasse ir, a programação da semana não permitiu espaço (passei dois dias no sítio de meu amigo Raimundo, no Mazagão Velho, uma experiência relaxante e maravilhosa).

Minha próxima visita incluirá uma aventura rumo ao Oiapoque e à Guiana Francesa (já soube que precisa de visto, tirado em Macapá mesmo). Essa primeira viagem para conhecer serviu para incentivar o retorno. O Amapá também tem muito a oferecer na área do turismo. Basta boa vontade do seu governo, organização e valorização pelo próprio brasileiro, que precisa saber que há mais coisas bacanas em nossa terra - e até mais perto de nosso lar, como foi meu caso.

Em setembro, viajarei mais uma vez para o Ceará, desta vez para realizar o sonho de conhecer Juazeiro do Norte e parte da região do Cariri, no sertão cearense. Até breve!




sábado, 26 de março de 2011

Amazonas e Piauí: vítimas da ignorância brasileira

Recentemente, as redes sociais mostraram seu poder de repulsa dos seus membros em dois episódios de total aberração cultural. A pérola amplamente divulgada no You Tube do jovem Thomas, do grupo Restart (mais um grupelho de visual bizarro, uma mistura de emo, Teletubbies e letras cheias de lugares comuns e com destino – espero que rápido – ao ostracismo, como qualquer modismo), sobre gostar de fazer um show “em” Amazonas (sic) mas sem saber se aqui no Estado havia civilização causou uma onda de aversão tão grande dos amazonenses que nem mesmo uma retratação (mais tosca do que a infeliz declaração) ajudou, e o show do grupo, programado para 1º de abril próximo em Manaus, foi cancelado. A empresa promotora divulgou uma nota ligando a decisão ao receio de manifestações prejudiciais à integridade física do grupo, mas corre a boca pequena que, na verdade, o fracasso nas vendas de ingressos seria o real motivo.

O segundo episódio, do qual tomei conhecimento ontem pelo Twitter, aconteceu quando um comediante chamado Marauê Carneiro se referiu ao Piauí como o “cu do mundo” no Facebook. A mesma fúria tomou conta dos piauienses nas redes sociais, tendo como consequência o cancelamento do show do tal comediante em Teresina e uma nota de repúdio de um parlamentar daquele Estado. Nem mesmo dizer que a frase jocosa era de autoria do comediante Juca Chaves foi remédio. Os tempos são outros. Fazer troça dos irmãos brasileiros agora é coisa séria.

Parece incrível que Norte e Nordeste sejam sempre vítimas desse tipo de coisa. No Norte, somos chamados de incivilizados, vivemos no meio do mato, compartilhamos espaços com jacarés e onças e coisas do tipo. No Nordeste, os habitantes são batizados de preguiçosos, cabeças chatas, subdesenvolvidos e por aí vai. Como alguém citou no Twitter, existe uma “sudestelização” (mais ou menos assim é a expressão), onde o conceito de desenvolvimento é bastante equivocado.

Na região Norte, temos a maior floresta tropical, uma fauna exuberante e uma natureza maravilhosa, apesar de não sabermos ainda explorar esse potencial turístico (coisas de políticas públicas, mas um dia o passo acerta). Quem dera dividíssemos espaço pacificamente com onças, jacarés e outros animais. Melhor que dividir com ladrões, traficantes, corruptos e maus policiais, porém isso é uma utopia. O Norte é assim. O Brasil é assim. Quando somos chamados de índios, o fato em si não é o que causa revolta – pelo menos no meu ponto de vista. A História mostra que os indígenas tiveram suas terras roubadas, ou seja, o Brasil começou a partir de um crime. Eles são os verdadeiros donos da terra. São os antepassados de milhões de brasileiros, então não haveria sentido em nos sentirmos ofendidos com isso. O que ofende é a forma jocosa como usam o termo. E depois surge das trevas da “jumentice” um garoto deslumbrado com a fama declarar sua burrice em público (o que é pior, cometeu uma gafe que nem a entrevistadora fez menção de corrigir ou refutar – talvez fosse tão burra quanto ele) e achar que somos igualmente burros ao falar de uma “edição mal feita” no vídeo. Pelo visto, pela falta de cultura, o nível de desenvolvimento educacional do híbrido emo-teletubbie não indica nenhum pouco de civilização. Como eu perguntaria ao meu amigo jornalista Luiz Otávio Martins, “de que pântano isso surgiu?”.

O caso dos nossos irmãos piauienses é um pouco diferente na forma da agressão, mas tem a mesma essência da falta de respeito. O Piauí tem povo trabalhador como em qualquer outro Estado, tem lugares que valem a pena ser conhecidos (como em todo o maravilhoso Nordeste) e possui habitantes extremamente cordiais (não conheço ainda o Estado, mas declaro isso com base no que conheço dos nordestinos – um povo incrivelmente hospitaleiro, pacífico e animado. Tenho conhecimento de causa porque sou filho de cearenses que chegaram ao Amazonas sem nada, fugindo da seca e do descaso com aquela região, batalharam e criaram família sem nunca esquecer suas raízes ou fazer pouco caso do lugar que os acolheu). Se realmente Juca Chaves usou a infeliz expressão divulgada pelo tal ator, foi em um tempo em que esse tipo de galhofa não era tão repercutida. Não havia redes sociais nem interação imediata entre as pessoas.

Restart e Marauê (que nome, hein?) sentiram o efeito “Twitbook” de sua ignorância. Todos os que se manifestaram nas duas situações, seja de forma cautelosa ou revoltada, merecem parabéns. Para o garoto do primeiro, é bom levar a sério os estudos. Para o segundo, recomendo buscar uma linha de humor mais inteligente. A força das redes sociais deve ir mais além, pois além dos preconceitos, há também os erros, injustiças e atos corruptos que merecem ser repudiados, precisam gerar uma ação coletiva, algo exemplar como o que aconteceu no Egito. O caso dos “artistas” ignorantes pode parecer uma futilidade brasileira, mas pelo menos é um começo. Falta cada um reconhecer em si esse poder de mudança.

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...