Mostrando postagens com marcador meio ambiente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meio ambiente. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de maio de 2012

Povo imundo tem a desgraça que merece

Trabalhadores da Prefeitura de Manaus retiram lixo do igarapé do bairro São Jorge
(Foto: Clovis Miranda/Semcom/PMM)

Esta semana a atenção de todos foi chamada por fotos da cheia no Amazonas, com cidades do nosso interior sendo lentamente cobertas pelas águas dos rios. Na capital amazonense, a situação não é muito diferente, guardadas as devidas proporções, mas fotografias como essa que reproduzo aqui, de autoria do repórter fotográfico Clovis Miranda, da Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Manaus, revelam o auge de um problema que nos afeta há décadas, apesar de todos os esforços para resolvê-lo ou minimizá-lo: a falta de educação (para não dizer de civilização, mesmo) de parte da população.

No Facebook, uma colega jornalista comentou que, durante a operação de retirada do tapete de entulhos que praticamente ocultou os igarapés da cidade (principalmente garrafas pet e até mesmo eletrodomésticos velhos), vários moradores dos diversos cortiços às margens dos cursos d'água aproveitaram o trabalho dos garis para jogar seu próprio lixo na água, a fim de que fosse coletado. É a mentalidade do porcalhão preguiçoso: gosta de viver na imundície, polui tudo e não age corretamente para dar a destinação correta ao lixo que produz. Mais fácil para esse tipo de gente é sujar tudo, pois, em sua visão, há quem seja pago para fazer a limpeza pública. Só não passa por essa mente distorcida que sujeira acumulada pode ser carregada para outros lugares por animais de rua, transeuntes desastrados ou vândalos, chuva, vendavais ou veículos que trafegam na área (acidental ou propositalmente). O destino muitas vezes é o igarapé que recebe o esgoto da cidade. Os igarapés transbordam na cheia e o lixo contribui para, durante uma tempestade, afetar as estruturas dessas casas, causando seu desabamento e todas as fatalidades típicas de acontecimentos dessa natureza.

Fica difícil executar qualquer trabalho de conscientização ambiental quando nos deparamos com atitudes sem noção. As escolas podem incluir a questão nos seus currículos, as autoridades podem espalhar outdoors, caixas de coleta seletiva, espalhar folders, camisas de campanha educativa, mostrar com as tragédias quais as atitudes corretas a serem tomadas para o descarte do lixo e o respeito ao meio ambiente. Aí, a mentalidade do porcalhão acaba prevalecendo: as crianças são repreendidas pelos pais que não dão a mínima para o meio ambiente, outdoors são ignorados, caixas de coleta são destruídas por vândalos (quando não são roubadas), folders são jogados em via pública para se juntarem ao lixo acumulado, camisas viram pano de chão (ou usadas por flanelinhas para serem descartadas em via pública) e as potenciais vítimas de sua própria imundície preferem cobrar ajuda da prefeitura. Como se a administração municipal tivesse obrigação de bancar a babá dos imundos.

A equação fica de difícil resolução, pelo que se vê. E os fatores não são pessoas pobres, de baixa instrução. Se formos acompanhar friamente todos os elementos que participam dessa "Operação Sujismundo", veremos pessoas "bem nascidas", até mesmo ricas, dando sua parcela de contribuição, desde os molecotes e patricinhas que vão para a balada e jogam latas ou garrafas de bebida pela janela de seus carros até os que participam de raves e deixam o lixo acumulado a poucos metros dos lugares onde deveria ser jogado, passando pela dondoca que, do seu iate de milhares de reais, joga sacos, copos descartáveis e enlatados no rio.

A questão de respeito ao meio ambiente deixou há muito tempo de ser de classe social. Agora, com tantas campanhas de esclarecimento, com iniciativas para mudar esse quadro, o problema é de simples uso da inteligência, de QUERER ser educado. Quanto menos racional/educado se for, mais imundo você é. Quem se recusa a ser educado, merece ser arrastado pelos entulhos que joga na rua. Povo porcalhão merece a tragédia que ajudou a iniciar. A solução? Vamos radicalizar! Quando a legislação endurecer, até com prisão desses porcos, aí talvez as coisas comecem a melhorar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Manaus merece isso?


Hoje é dia de comemorarmos os 342 anos de Manaus. A comemoração, no entanto, não pode se limitar ao Boi Manaus e ao espetáculo surreal da inauguração da ponte Rio Negro (palcos, shows e uma lista extensa de convidados "ilustres" - uma combinação que ainda não se ajustou bem em minha pobre cabeça).

Temos muitos motivos para comemorar e para refletir. A ponte Rio Negro, tão criticada (nem tanto pelas altas cifras de seu custo ou pelos aparentes erros em sua concepção estrutural - do qual a famosa "pracinha da avenida Brasil" foi o exemplo mais claro -, mas sim pela sua utilidade), é um momento novo de integração que vai facilitar a vida da população da Região Metropolitana. Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, principalmente, deverão estar alertas para investir sobretudo em seus potenciais turísticos.


Na outra margem da ponte, já em Iranduba, quero vislumbrar uma orla bem cuidada. Nada daqueles inferninhos barulhentos e imundos que empestavam o Cacau Pirêra, aquilo, sim, uma vergonha que nunca recebeu um investimento decente e muito menos preocupação ambiental dos residentes. Sinceramente, merece desaparecer da maneira que estava. Mas nem tudo está perdido ali, porém isso é outra história.

Temos que comemorar o fato de Manaus estar "bem na fita" entre as demais capitais brasileiras. Hoje somos a nona (corrijam-me se estiver enganado) cidade mais populosa do País e uma das mais ricas. Há muitos investimentos surgindo na cidade em diversos ramos, mas sobretudo no imobiliário.

As comemorações, por enquanto, terminam aí. Hora de refletir sobre os problemas que temos e o que cada um está fazendo - ou não - para mudar o quadro. Nosso trânsito é péssimo. Temos um sistema viário que não comporta o fluxo da devida maneira - os "complexos viários" construídos acabaram não dando tanta vazão como deveriam a isso (sem contar que um dos primeiros, no cruzamento das avenidas Constantino Nery e Senador Álvaro Maia, não correspondeu ao projeto inicial e tem uma característica ímpar de possuir semáforo). Temos muitos carros, pouca educação no trânsito e irresponsabilidade para dar e vender. Para muitos motoristas, respeitar a sinalização, não entrar pela contramão (nem que seja rapidinho), estacionar somente nos lugares adequados, dar a vez a pedestres, ser cortês com outros motoristas, dirigir sem afobação... tudo isso parece soar como ofensa, como imoralidade, e mais vale o risco de pegar uma multa, atropelar alguém ou sofrer um acidente. Manaus merece isso?

Na parte ambiental (e nisso vou incluir a limpeza pública, pois há uma relação entre ambas), se por um lado temos bons exemplos como o Parque Senador Jefferson Peres, o Parque dos Bilhares e os postos de coleta seletiva, por outro temos o vandalismo e a falta de educação da população. Ontem, apanhei um ônibus para ir ao Manaus Plaza Shopping, e vi uma família (pai, mãe e filhinho) dentro do coletivo saboreando picolés. Eu imaginei o que viria a seguir: palitos e embalagens foram jogadas pela janela, em via pública, sem um pingo de remorso. Somente balancei a cabeça, pois pela própria forma de se expressar reconheci ali uma família para a qual viver na imundície era algo que pouco importava. E é assim que muitos manauenses pensam, infelizmente. Há lixeiras instaladas na cidade, mas a preguiça e a falta de conscientização são tão grandes que tais pessoas jogam lixo em qualquer lugar, pois, em sua visão distorcida de responsabilidades, sempre há alguém designado para fazer a limpeza. Esquecem-se de que os profissionais dessa área não são serviçais de cada um dos moradores, portanto não podem ficar atrás de cada porcalhão desses como um dono de cachorro que sai para passear com seu bichinho levando uma pazinha e um saquinho para recolher seus dejetos. Manaus merece isso?

Temos belas praias fluviais em nossa cidade e balneários agradáveis nas estradas e na zona rural da capital. Mas nem lá o vandalismo e a falta de educação ambiental deixam incólumes. Pior de tudo é ver que há conivência dos que exploram o lugar, que não tomam uma atitude mesmo quando cobram uma "taxa de manutenção". A Cachoeira do Leão, na rodovia AM-010, de acesso gratuito, é um exemplo. Muitos dos frequentadores jogam latas de bebidas e restos de comida ao longo do igarapé, mesmo havendo lixeiras instaladas em vários locais de fácil acesso. No quilômetro 12 da rodovia BR-174, uma taxa de R$ 5 é cobrada por veículo, mas onde a sujeira é jogada, lá permanece. Bela visão para turistas. Manaus merece isso?

Voltando aos parques, a iniciativa foi muito boa, pois Manaus carecia de espaços públicos. Praças foram reformadas, voltaram a ser pontos de reunião de famílias para passeios e programas leves. Mas ainda são atacadas pelos porcalhões e vândalos. Na extensão do Parque Jefferson Péres, no Bittencourt, alguns quiosques estão escancarados, um convite para a vagabundagem destruir ou usar para fins nada corretos. Por todos os lados, há garrafas, copos e outras coisas jogadas a apenas alguns metros das lixeiras instaladas. No Mestre Chico, a bela ponte de ferro ainda estava às escuras, pois pessoas sem caráter roubaram a iluminação e fica tudo por isso mesmo. O Parque Jefferson Péres escapa ainda um pouco do vandalismo porque é cercado, então os marginais têm que procurar outra freguesia ("um pouco" porque um dia desses, caminhando por lá, percebi que algumas luminárias mostravam pequenos danos, como se os vagabundos tivessem tentado arrancá-las). Assim deveria ser com os demais. Como podemos mostrar nosso patrimônio aos turistas se há descaso e depredação? Manaus merece isso?


Temos problemas como toda cidade, claro. Transporte público ruim e digno de suspeitas. Sujeira nas ruas. Falta de zelo com o patrimônio. Poluição. Estupidez. Vamos esquecer tudo no Boi Manaus? Melhor não. Ali também, com certeza, houve depredação, pois infelizmente festas assim também atraem o degrau mais baixo da escória humana - aqueles que não têm respeito pela vida dos outros, pelos direitos do próximo e pelo seu próprio patrimônio. Manaus merece isso? Você pode apostar que não!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Então, morra!" - o episódio de um eterno retorno

O mais comentado episódio da semana é só mais um dèja vu envolvendo um problema permanente em qualquer grande cidade: as ocupações irregulares. É por conta disso que aconteceram tragédias em Manaus, em Angra dos Reis, em Petrópolis e outras cidades brasileiras, guardadas as devidas proporções, claro. E entra ano, sai ano, e essas ocupações irregulares continuam, e o problema só é levado a sério quando acontece uma desgraça ou quando, como o que aconteceu recentemente, o prefeito perde a pose e age pior que um estivador: a mulher reclama de que não tem para onde ir, e Amazonino Mendes retruca, diante dos jornalistas, "então, morra, minha filha!", emendando a pérola de grosseria com um claro deboche quanto à origem paraense da queixosa.

Eterno retorno. Não há termo mais apropriado para o fato. Vai se discutir durante semanas a atitude inadequada do prefeito, mas duvido muito que a questão seja aprofundada ao que interessa: o que aconteceu na área do entrevero (onde houve um deslizamento que matou uma mulher e duas crianças) nunca vai ter solução, aparentemente. Sabe-se que essas áreas de risco existem. Por que se permite que sejam ocupadas? Por que já se sabe de antemão que em época de eleição as invasões de terra pipocam aqui e ali, algumas - dizem - manipuladas por políticos inecrupulosos, mas não se faz nada para prevenir o problema, exceto quando a floresta já foi devastada e uma nova favela aparece? 

O assunto envolve questões habitacionais, ambientais e sociais, no entanto nunca há solução ao problema que não seja arrumar casa para os invasores. Nunca houve profissionais gabaritados nas gestões municipais que pudessem encarar o problema de frente? Acho que é uma questão de boa vontade política, caso contrário não haveria situações exemplares em outros Estados. Recentemente, com as tragédias provocadas pela chuva no Rio de Janeiro, houve o caso de uma cidade (cujo nome me foge agora) onde não houve mortes provocadas pelas alagações, pois o prefeito (salvo engano) organizou a evacuação prévia dos moradores. Isso é bom senso. Isso é ser competente. Isso é administrar de verdade.

Não estou tecendo críticas especificamente ao senhor Amazonino Mendes, e sim às administrações (inclusive as anteriores dele) que já passaram por Manaus e não resolveram problemas que se repetem agora e, se isso não mudar, irão se repetir mais adiante. Se há ocupações irregulares, é preciso uma política habitacional urgente. Não é fácil, claro, mas é hora de buscar uma solução a médio prazo. Não sei o que sugerir, pois mudar isso é obrigação de quem foi eleito pela população e sua equipe. Tivesse eu conhecimento suficiente para indicar o caminho das pedras, certamente o faria.

Invasões acontecem porque a administração pública permite. Por medo de serem chamados de tiranos (ou, de modo mais escuso, garantir simpatia e votos), os administradores deixam acontecer e ainda premiam os invasores com urbanização da área invadida (e o meio ambiente que se f...). Onde isso vai parar?

Ultimamente, quando falam mal de Manaus por conta do comportamento da população, me limito a ficar calado, engolindo, porque vejo razão. Infelizmente, é assim. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Madrugada dos loucos

Estou  no Morro da Liberdade, onde vim passar o fim de semana na casa de uns amigos. Aqui há um problema que não é exclusividade da área (mesmo onde moro tem esse tipo de gente), que senti na pele na madrugada de hoje.

Eram meia noite e meia e havíamos acabado de assistir um filme no DVD. Hora de dormir, claro. No entanto, a surpresa: o vizinho de trás simplesmente coloca o som em altíssimo volume - quase um hora da manhã. Providência? Chamar a polícia para advertir o cidadão, pois é caso de perturbação da ordem (e do sono alheio). Discamos 190. Explicada a situação ao atendente, ele transfere a responsabilidade para o Disque Denúncia da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, um 0800 que foi criado sabe Deus para quê, pois ninguém atendeu. E ficou por isso mesmo.

O cidadão permaneceu pelo menos até 1h30 com o som alto. Estava visivelmente embriagado, provavelmente drogado, pois meu amigo testemunhou vários lances estranhos naquela residência que fica nos fundos de seu terreno - infelizmente, perto demais de suas janelas. Então, o som diminuiu. Não sei se o desgraçado deve ter saido momentaneamente do "barato" em que estava e teve um lampejo de vergonha na cara, ou se foi a pedra que meu amigo, furioso, atirou no teto da casa dele. De qualquer modo, foi possível dormir, mas no momento em que escrevo estas linhas - são exatamente 9h26 - o barulho recomeçou (música de péssima qualidade, diga-se de passagem, bem ao estilo do tipo de gente que a ouve).

O interessante da coisa toda é que a polícia não cumpriu seu papel, tentando transferi-lo para terceiros - que também têm essa responsabilidade, claro. Mas policiais têm mais peso, mais moral em uma situação assim. Para que serve o 190 (e esse 0800, que parece só ter sido criado para situações em horário comercial)? Creio que é por conta disso que muitos problemas entre vizinhos terminam com muita dor de cabeça, porque não houve a intervenção de quem deveria auxiliar. A pedra no telhado poderia ter sido evitada, mas o plantão policial deveria ter coisas mais importantes para fazer, como tentar tirar uns trocos por aí, sabe Deus como... Se tivéssemos resolvido botar fogo na casa do elemento ou algo mais radical que uma pedra jogada no telhado, talvez tivessem aparecido, mas para proteger o vagabundo, claro.

Aqui é assim. Tem gente que só quer ter direito, mas esquece seu dever. Não sabem que a liberdade de cada um termina onde a do outro começa. Todos têm direito a ouvir sua música no volume que quiser, por mais podre que seja o estilo (gosto é que nem toba: cada um tem o seu), mas em horários apropriados. É tão difícil assim? O mundo é nosso, não é de um ou de outro, então a convivência pacífica e com respeito é uma regra imutável. Mas há pessoas, como esse cidadão louco, que parecem só terem noção do seu próprio umbigo - isso quando o conseguem enxergar através da névoa da embriaguez e das drogas.


SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...