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segunda-feira, 8 de junho de 2020

VIAGEM: Curitiba em meio à pandemia



Da região sul do Brasil, faltava-me conhecer, das capitais, Curitiba, sonho adiado de 2019 para este ano. Meu planejamento original, feito uns oito meses antes, incluía cinco dias em Curitiba, três em Foz do Iguaçu e os oito restantes em Florianópolis, cidade que adoro, sendo a quarta vez que a visitaria.

Aí veio a covid-19... Ainda havia poucos casos, pouca informação e muitas medidas de precaução. As máscaras ainda eram usadas apenas por quem estivesse resfriado ou com acessos de tosse, mas o álcool em gel e o distanciamento de aglomerações era a maior recomendação. Então como lidar com isso em meio a essa viagem originalmente programada de 13 a 29 de março?

Chegando em Curitiba do meio dia de 13 de março, um sábado, acompanhado de minha colega de trabalho Litamar Nascimento, que estava de mudança para Itajaí (SC) enquanto aguardava seu processo de aposentadoria, encontrei nossa outra amiga Katy Nicolet, que casara e morava na capital paranaense há alguns anos. Reencontro, papo em dia, almoço juntos e... vamos para o hotel descansar (a viagem em Manaus começara quase às 5h e fizemos conexão de uma hora em Brasília, e no último trecho passamos por uma situação bem incômoda e engraçada com a nossa companheira de fileira, mas o que acontece na aeronave, fica na aeronave!).




Nosso primeiro dia na verdade começou no final da tarde com um passeio nas proximidades. Como ficamos hospedados no Centro, estávamos perto do Shopping Curitiba, e fomos até lá para comer algo e conhecer um pouco a área.

No domingo, já bastante restabelecidos do cansaço da viagem, fizemos nosso primeiro passeio: o famoso roteiro de trem para Morretes. A empresa responsável nos apanhou com uma van no hotel pontualmente às 7h. A estação rodoferroviária de saída estava apinhada, e como precaução ficamos do lado de fora aguardando a chamada para o embarque. Com inimigo invisível e ainda pouco conhecido no país não se podia brincar.



A viagem até Morretes durou umas quatro horas, e foi um espetáculo! Pequenas cachoeiras, pontes, um panorama de tirar o fôlego! Como tenho um certo temor de alturas (apesar de adorar viajar de avião - vai se entender isso!), não me aproximei das janelas do trem e não registrei muitas dessas imagens. Na cidade de Morretes, onde almoçamos o famoso barreado (do qual gostei, mas achei o sabor muito parecido com conserva em lata...) e fomos conhecer a região que reúne restaurantes, lojas de souvenir, barracas de produtos diversos (ah, as balas de gengibre deliciosas!) e artes na praça (como um casal que deu um show de dança ao som de um flautista).







Morretes é uma gracinha de cidade! Achei tudo lindo e agradável, apesar do forte calor naquele domingo. O clima ainda não era de apreensão total, havia aglomerações, claro, mas eu e Litamar nos mantivemos sempre distantes o máximo possível. No almoço, acabei comendo mais rápido que as demais pessoas na mesa, para sair dali o mais rápido possível, pois o restaurante estava bastante cheio.

Terminado o passeio em Morretes, seguimos de van para o Hisgeopar, inaugurado há dois anos. Trata-se de um espaço destinado à divulgação da história e geografia do Paraná, e seu atrativo é uma enorme maquete animada sobre isopor concretado que conta a história do Estado desde a descoberta até os dias atuais. É um trabalho lindo e perfeito! Um guia explica ao grupo cada parte da maquete, nos levando a uma viagem no tempo! O valor do ingresso por pessoa é R$ 25 (março/2020).





O destino seguinte foi Antonina. Foi um city tour rápido, sem saída do veículo, com ponto final da loja de doces Bananina. Lógico que fiz a festa comprando sacos de bombons de banana de todo tipo: com pimenta, com gengibre, com coco... Depois das compras, seguimos de volta para Curitiba, onde jantamos no Shopping Curitiba e voltamos ao hotel para descansarmos. Aí então a vida noturna da cidade, pelo menos naquela região do Centro, estava capenga devido aos avanços do coronavírus. Mais um motivo para não sair à noite.



Na segunda-feira, dia 15, fomos ao Museu do Holocausto, cuja visita havia sido agendada gratuitamente por mim um mês antes pelo site. É uma visita necessária, mesmo com o impacto que isso pode causar. Dentro do museu há objetos pertencentes às vítimas do genocídio nazista durante a Segunda Guerra Mundial (malas, roupas e bens pessoais), fotos ampliadas de momentos tristes das etapas do extermínio, depoimentos gravados de sobreviventes e, no final, um tipo de altar onde colocamos, cada um, uma pedra em memória dos que foram assassinados. Não é permitido ao visitante tirar fotos dentro do museu, e a entrada passa por um rigoroso controle (objetos metálicos e bolsas devem ficar guardados num armário com chaves individuais).



Uma das fotos que mais me deixaram chocados foi do fuzilamento de um grupo de mulheres e crianças judias do gueto de Mizocz, na Ucrânia, em 1941. Já conhecia a imagem de livros sobre o Holocausto de minha pequena biblioteca, mas essa ampliação mostrou detalhes que não percebi, como duas crianças pequenas chorando entre os cadáveres fotografadas momentos antes de serem mortas a tiros. É uma experiência dolorosa, mas, repito, necessária.

Para relaxar um pouco, fomos caminhando para o Bosque do Papa, a uns 15 a 20 minutos de caminhada do museu. O parque estava aberto, mas as casas com atrações da cultura polonesa estavam fechados para manutenção naquele dia. É um lugar muito bonito, com trilhas diversas. Pouquíssimas pessoas estavam no lugar, reflexo das primeiras preocupações com o coronavírus.




Próximo destino: Jardim Botânico de Curitiba. O lugar me encantou demais. Tudo bem cuidado, um prato cheio para quem gosta de tirar fotografias. Ficamos bastante tempo por lá, até arranjamos um lugar no gramado para deitarmos um pouco e aproveitar tanta tranquilidade! Mas não trouxe nada de souvenir dali. Achei os preços exorbitantes para a baixa estação. Dali seguimos de volta para o hotel, antes passando no shopping para jantarmos.





No dia seguinte foi a vez de fazermos o famoso city tour no ônibus da linha Turismo! Compramos o bilhete único de R$ 50 na praça Tiradentes no momento de embarcarmos. Para nossa sorte, havia poucas pessoas, portanto a preocupação com aglomeração morreu. Um detalhe importante: o bilhete normalmente dá direito a parada em quatro pontos turísticos da cidade, mas na época liberaram e se quiséssemos poderíamos descer em todas elas - são 24 ao todo. Resolvemos parar nos mais interessantes, fora os que já havíamos conhecido no dia anterior: Museu Oscar Niemeyer (estava fechado para visitação como medida preventiva, mas pudemos acessar o salão externo), Bosque Alemão e Santa Felicidade. Deixei a Ópera de Arame de fora dessa vez porque achei os arredores sinistros por estarem muito vazios, e a Torre Panorâmica estava fechada também como medida de prevenção, assim como o Museu Ferroviário.












Nossa descida foi em Santa Felicidade, que reúne o melhor da gastronomia italiana naquela região. Depois de um almoço delicioso com buffet livre a R$ 28,90 por pessoa no Ristorante Siciliano, enquanto Litamar foi procurar um hotel para descansar antes de voltarmos para o Centro, fui bater perna pelo local, encontrando uma loja aberta da Florybal Chocolates e comprando um suco de uvas na Durigan Vinícola (por conta do peso que já trazia de Manaus na mala, não pude comprar os vinhos que tanto queria, mas chocolate comprei bastante!).







COMEÇA A AVENTURA

De volta ao Centro, somos surpreendidos com notícias preocupantes sobre a pandemia: os casos começam a aparecer com mais rapidez. Havia transmissão comunitária confirmada em Santa Catarina. O Museu do Holocausto cancelara todos os agendamentos até segunda ordem naquele dia. Outras atrações da linha Turismo também seriam fechadas. Tivemos sorte em aproveitar. Mas aí as coisas começaram a piorar.

Em Foz do Iguaçu, onde minha amiga Ana Carolina estava há alguns dias com seus pais e me aguardava, o parque das Cataratas e o Marco das Três Fronteiras, que eu pretendia visitar novamente, fecharam para visitação e tive que pedir reembolso, além de cancelar minha reserva no hotel (foi uma luta que cancelassem, pois se eu o fizesse teria que pagar multa, mas eles entenderam a situação e um tempo depois a reserva foi cancelada sem custos).

Eu e Litamar começamos uma verdadeira via crúcis. Eu iria embarcar na quinta-feira, dia 19, para Foz do Iguaçu, e ela seguiria de ônibus para Itajaí no mesmo dia. Com esses contratempos e com o anúncio de que a fronteira entre Paraná e Santa Catarina seria fechada para o transporte intermunicipal, corremos para ir atrás de passagens de ônibus - ela já havia comprado a dela antes, eu comprei naquela terça-feira pelo aplicativo Clickbus para Florianópolis, depois de cancelar os voos Curitiba-Foz do Iguaçu pela Azul e Foz do Iguaçu-Florianópolis pela Gol. Foi uma novela receber o reembolso sem custo da Azul, enquanto com a Gol foi imediato e tranquilo.

Com a mudança de planos, eu resolvera ir para Palhoça, onde minha prima Márcia me aguardava (ela havia mudado de Manaus para lá no início do ano). Florianópolis estava em quarentena. Estava tudo encaminhado, mas quando chegamos à rodoviária na quarta-feira, dia 18, fomos surpreendidos com o cancelamento de todas as viagens, pois acreditávamos que só iriam acontecer na quinta-feira. Meu plano B, caso não achasse uma solução para sair de Curitiba, seria voltar ao hotel (ainda tínhamos uma diária, pois resolvemos sair um dia antes) e remarcar para aquele dia meu voo de volta para Manaus. Mas depois de muita consulta a aplicativos de corrida, conseguimos fechar com uma motorista do Uber, Elaine, super educada e prestativa, que literalmente nos resgatou de Curitiba e nos deixou em Santa Catarina (Litamar em Itajaí, eu em Palhoça) numa viagem que durou umas quatro ou cinco horas. Claro que ela faturou mais do que o previsto por conta da disponibilidade e gentileza. Mereceu mesmo!

Nesse ponto, lembro que todo esse dia foi marcado por uma tensão terrível por conta de informações falsas que estavam sendo repassadas. Uma delas era de que a fronteira entre Paraná e Santa Catarina estava totalmente fechada e vários carros estavam sendo impedidos de passar. Na verdade, apenas os ônibus intermunicipais estavam proibidos. Carros de passeio e caminhões de carga passaram livremente. Foi a partir desse terrorismo que passei a odiar com muito mais força as fake news, correntes e notícias alarmistas compartilhadas via redes sociais.

FÉRIAS ENCURTADAS

Estava em Palhoça, na grande Florianópolis, no continente, hospedado com minha prima Márcia. Ela e os demais colegas de trabalho tiveram que ficar em casa, então foram dias de matar saudades e, principalmente, tomar birita todo dia para animar, já que não podíamos sair (o isolamento foi cumprido com sucesso em Palhoça. As pessoas levaram mesmo a sério e não se via gente à toa andando pelas ruas). Apenas um dia, na sexta-feira, demos uma escapada para eu conhecer a Praia de Fora, onde compramos mariscos para acompanhar a cervejinha da noite.








A praia é linda, como tudo no litoral de Santa Catarina, mas como havia as restrições com aglomerações, estava praticamente vazia. Um homem em sua cadeira de praia lendo, uma mulher se bronzeando, dois rapazes brincando de bola, moradores locais vendendo os mariscos. Só. Os demais estavam em seus pátios, tomando suas bebidas, conversando. Um ou outro saia na rua para caminhar um pouco.

Caminhamos ao longo da praia, tiramos fotos e retornamos para a casa de Márcia. Foi o único passeio que fiz em Santa Catarina. Nos dias seguintes, nosso programa foi ir ao supermercado, assistir lives ou ouvir música e beber muuuuuita cerveja!

Aí havia um problema para resolver: como estavam havendo cancelamentos de voos, eu precisaria voltar a Manaus antes do planejado, já que, se fosse para ficar trancado em casa, era melhor ficar na minha, pois minha mãe e minha irmã estavam preocupadas com tantas notícias ruins que viam pelos telejornais. Minha passagem para o retorno no dia 29 de março estava inalterada, mas como eu ainda possuía milhas Smiles reativadas do cancelamento da viagem Foz-Floripa, usei para procurar uma passagem de retorno para o mais perto possível. Consegui para o domingo, dia 22, mas como garantia mantive a do dia 29. Vai que...

Felizmente, deu tudo certo. Despedi-me no domingo à tarde de Márcia, apanhei um Uber e fui para o aeroporto de Florianópolis. Foi triste ver aquela cidade absurdamente quase vazia e quieta. Apenas passei por ela e lembrei-me das viagens anteriores.

Ao chegar ao aeroporto, depois de despachar bagagem e aguardar o embarque, descobri que o voo do dia 29 havia sido cancelado pela Gol. O saldo foi restituído. Pouparam-me um trabalho.



E assim minhas férias foram encurtadas, mas ainda assim bem aproveitadas. Claro que voltarei um dia, quando tudo estiver sob controle, para curtir a viagem da melhor forma. Não foi ruim. Deu para me divertir. Não me arrependo de nenhum dia.

Então, até breve, Curitiba! Tenho que voltar para resolver essas pendências.

E O RESTO...

A viagem que duraria 16 dias ficou restrita a nove por conta da covid-19. Meu voo de volta teve conexão no Galeão, o que já me deixou preocupado porque o Rio de Janeiro estava disparando em número de casos. Usei uma máscara tipo N97 (conseguida por uma amiga da Márcia) no retorno porque acabei ficando resfriado em Palhoça (basta mudar o clima repentinamente e isso acontece). Cheguei em casa de madrugada cumprindo os protocolos de higienização da mala e da mochila, tirando roupas e sapatos na garagem para colocar no cesto de roupas sujas e em seguida tomei um belo banho.

Esses alarmes que se repetiram tanto nessa fase inicial da pandemia me deixaram mal, a ponto de eu pedir que parassem de me mandar notícias sobre ela (geralmente eram aqueles alarmismos e mentiras) porque realmente estavam me afetando a ponto de ficar à beira de uma crise de depressão. Por isso criei mais raiva ainda de propagadores de fake news.

Minha próxima viagem de férias seria para o roteiro Vitória/ES-Porto Seguro/BA-São Luís/MA, mas cancelei tudo depois do início dessa crise. Com mais calma, optei por usar o crédito da Gol para voltar ao Ceará em agosto, quando pretendo finalmente conhecer Juazeiro do Norte. Se ela vai acontecer, vai depender da situação da pandemia até a metade de julho. Até lá, tentarei manter a fé em coisas positivas, apesar do comportamento da população e dos governantes me fazer crer no contrário.

Vamos aguardar!


domingo, 31 de dezembro de 2017

2017: um ano de ótimas viagens!!!

SOBRE O PRAZER DE VIAJAR

Viajar se tornou para mim uma necessidade. Descobri meio que tardiamente esse prazer em 2011, quando viajei pela primeira vez depois de três décadas para Fortaleza (CE). Uma resolução acertada para quem até então vivia para trabalhar, sem férias decentes. A vida passa, e esperar para curti-la depois da aposentadoria é a regra mais estúpida que se pode imaginar: como diria a atriz Betty Faria, "melhor idade é o cacete". Nem todos chegam aos 60, 65 com vigor. Portanto, o momento é agora. Um pouco de planejamento e mudança de velhos hábitos ajuda, e muito!

Este ano, apesar de muitos problemas para manter o orçamento em ordem (e quem não os tem? Só os bem nascidos, mas esta postagem não é para eles), consegui fazer três viagens sensacionais. Em janeiro, por conta de férias pendentes do ano passado, fomos de Fortaleza a Recife (PE), passando por Natal (RN) e João Pessoa (PB); em junho, em uma decisão de última hora e graças ao programa de pontos da Azul Linhas Aéreas (e a alguns dias de licença especial) fui a Fortaleza ciceronear um casal de amigos que nunca fora ao Ceará; e em setembro, aproveitando a Semana da Pátria e metade das minhas férias deste ano, o destino foi encantador: Minas Gerais, em uma rota que começou em Diamantina e terminou em Uberlândia, incluindo aí Cordisburgo, Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes, São João del-Rei e Araxá.

"Mas como você viaja tanto?". Costumo dizer que viajar não é para quem pode, é para quem quer. Tempo? Vejamos: trabalho no serviço público estadual, tenho férias certas que posso dividir durante o ano e programar de forma que rendam bastante (começando ou terminando perto de feriados/feriadões). Desse jeito, já determinando o período e o destino, começa a pesquisa por passagens aéreas. Nem sempre o valor mais baixo compensa: em primeiro lugar eu vejo a melhor rota (menor número de conexões ou escalas, menor tempo de espera na conexão. Há rotas com 70 escalas, 20 conexões e até 15 horas de espera nos aeroportos (o exagero é intencional). Além disso, aprendi que em geral quando se compra passagens com muita antecedência, é possível conseguir adquirir com um valor muito em conta (por exemplo: minha viagem a Foz do Iguaçu, no Paraná, ano passado, só foi possível porque em dado momento, depois de já haver decidido aproveitar um feriadão para conhecer o lugar, achei passagens com valor na metade do comum, como já narrei em outro post na época), mas isso requer muita pesquisa.

"E como você tem tanto dinheiro?". Quem disse que é preciso ser rico ou levar uma mala cheia de dinheiro? Para começar, como já disse antes, abrir mão de certos hábitos perfeitamente dispensáveis (muitas roupas novas, farra toda semana, pizza todo sábado ou domingo, comprar o novo lançamento de smartphone) ajuda bastante. Quando você limita seus gastos às despesas normais (contas, faturas de cartão), você cria uma margem de reserva bacana. No meu caso, minhas viagens não incluem noitadas, pois viajo para descansar e conhecer (ou revisitar) lugares. No máximo, uma noite numa lanchonete ou em um barzinho com música ao vivo. Aliado a isso há a ajuda do cartão de crédito, que deixo de utilizar um tempinho antes da viagem para liberar o máximo do limite possível para utilizar. E tem outro detalhe: saber onde comer ajuda a economizar bastante. Prefira os PFs aos restaurantes tradicionais com preços exorbitantes. Não é atestado de pobreza, é atestado de esperteza: a comida é praticamente a mesma, e nos restaurantes você paga o conforto luxuoso (claro, ir apenas uma vez não vai deixar ninguém na miséria em terra estranha).

"Ah, mas quando você volta o cartão de crédito está estourado". Não é bem assim: existe uma coisa chamada PARCELAMENTO na maioria dos lugares de venda de lembranças. Também não é mania de pobre. Deixe esse conceito para os esbanjadores.

"E os gastos com a hospedagem?". Bom, não sou fã de hostels nem de estabelecimentos em lugares badalados. Sempre acertei na hospedagem  (exceto em uma ocasião, na minha primeira viagem ao Rio de Janeiro em 2014, mas é uma história que prefiro esquecer), e o PARCELAMENTO ajuda muito!

OS NOVOS DESTINOS DO ANO!

Foram nove destinos este ano, entre eles os preferidos do Nordeste. As exceções ficam com João Pessoa (onde eu só passara um final de semana em 2013) e Recife (primeira vez na cidade), nossos destinos depois de Fortaleza e Natal. A capital da Paraíba é uma cidade tranquila, muito agradável, uma metrópole emergente com ares pacatos de cidade interiorana em alguns lugares. Dona de uma orla magnífica, Jampa faz justiça a quem lhe elogia. De lá fomos passear em Cabedelo, onde há as ruínas da fortaleza dos tempos do Império, e nas praias do Amor e de Coqueirinho (esta última a minha preferida, com sua enseada tranquila e belíssima, agora dotada de uma boa infraestrutura e pista de acesso arrumada).

Recife foi uma surpresa agradável. Cidade grande, bonita, com um Centro Histórico fantástico e um trânsito não tão caótico como imaginei que seria. Ficamos em Boa Viagem, perto da praia, onde admiramos um luar fantástico! Dali fomos conhecer outros lugares quase num ritmo acelerado, pois só tínhamos quatro dias antes de voltarmos a Manaus no dia 18 de janeiro. Fomos então a Olinda, bem ao lado, a Porto de Galinhas (muito bonito mesmo), a Caruaru (adorei o local que concentra os artesãos) e ao museu do Instituto Ricardo Brennand, um apanhado fantástico de pinturas, esculturas e objetos diversos, duplicados ou originais. Uma viagem no tempo imperdível!

Outro destino novo acabou me conquistando pela beleza dos lugares, pelo clima agradável, pela culinária divina e, sobretudo, pela simpatia do seu povo: Minas Gerais. Dia 5 de setembro embarcamos rumo a Belo Horizonte, uma viagem um tanto cansativa com uma conexão no Galeão (Rio de Janeiro). Em nossa chegada, como já havia definido no roteiro, fomos almoçar em Lagoa Santa, perto do aeroporto de Confins, antes de entrar no hotel Confins Aeroporto. Foi um pernoite necessário para um merecido descanso. Dali, na manhã seguinte, começou a viagem propriamente dita, quando seguimos rumo a Diamantina, lugar que fazia questão de conhecer. Antes, fizemos uma paradinha em Cordisburgo, no caminho para lá, cidade do escritor Guimarães Rosa onde visitamos o museu criado na casa onde ele viveu e o portal que retrata os jagunços de sua obra máxima, "Grande sertão: veredas".

Assim começou nosso roteiro, que posso resumir assim:

- em Diamantina, conhecemos a casa onde nasceu o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, a casa de Chica da Silva (por um golpe de sorte a encontramos aberta, já que estava, segundo a antipática funcionária que abordamos, fechada para reforma), o parque do Biribiri, onde fica a antiga vila de Biribiri, hoje funcionando apenas como ponto turístico, o casario antigo e lindo da cidade e o Parque Estadual do Rio Preto;

- seguimos para Belo Horizonte, onde em dois dias conhecemos o famoso Parque da Pampulha, o Mirante do Mangabeiras, a praça do Papa e outros locais bacanas nos arredores do bairro Funcionários, onde ficamos hospedados;

- depois de BH, foi a vez de Ouro Preto. Ah, cidade deliciosa!!!! Tudo ali é História, cada canto, cada prédio. Fiquei apaixonado mesmo por aquele lugar. O friozinho da noite (maior do que o que sentimos em Diamantina e BH) foi uma atração à parte para dois amazonenses que sobrevivem no calor amazônico. Dali fizemos um "estica" até Congonhas e Mariana;

- o destino seguinte foi São João del-Rey. Outra cidade maravilhosa, bonita, simpática, onde o antigo contrasta com o moderno. De lá fomos ainda dar uma volta em Tiradentes;

- próxima parada: Araxá. Bonita, muito bem cuidada, a cidade da lendária Dona Beija (ou Beja) é charmosa, tranquila  e preserva com competência sua história. Conheci o Memorial de Araxá e fiquei encantado! Os sabonetes Nur, feitos com a lama da fonte da personagem histórica (aberta para visitação gratuita), e os doces Dona Joaninha (cada um mais delicioso que o outro) completaram a paixão. O único porém foi não termos conhecido a Casa de Dona Beja, fechada para reformas até 2019, e o Parque do Cristo, de onde se tem uma vista linda de Araxá, pois, embora já revitalizado, só iria ser reaberto pela prefeitura no final do ano (santa sacanagem, Batman); e

- finalmente, chegamos a Uberlândia, ponto final da viagem. Cidade grande, quase uma metrópole, mas com aquele mesmo clima agradável das antecessoras. Como foi uma passagem corrida para visitar nossa amiga Patrícia Martins (a quem havíamos conhecido em Ilhéus, em 2014), só pudemos mesmo ir ao Parque do Sabiá (delicioso para caminhadas) e alguns lugares da área do Centro, onde ficamos hospedados.

Enfim, Minas Gerais conquistou meu coração e espero retornar, talvez em 2019, para revisitar lugares e  conhecer novos, como São Thomé das Letras e Monte Verde. Mas, para 2018, os destinos já estão traçados: um retorno a Santa Catarina (Joinville-Blumenau-Balneário Camboriú-Florianópolis) e nossa primeira ida ao Rio Grande do Sul (Gramado-Ijuí/Missões-Porto Alegre). Ano que vem haverá mais histórias para contar!

Feliz 2018!!!!!!

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

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