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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Não se faz mais sacanagem como antigamente...



Lá pelo final da década de 1970 e início da seguinte, comecei a vasculhar o guarda roupa de meus irmãos mais velhos, com aquela sanha de querer descobrir as coisas, típicas do menino de 6 anos, abelhudo até não aguentar mais. Eis que nessa época descobri um pequeno "tesouro" em preto e branco, traços bacanas, recheados de sacanagem por vezes explícita, mas que me levou logo a perceber os primeiros traços do que seria o mundo adulto - ainda que proibido até para meus irmãos, marmanjos já adolescentes.

Os nomes que faziam parte daquele tesouro eu recordo até hoje: havia "Playcolt", "Conde Dinho", "Frígida" e os "Quadrinhos Eróticos", que ainda tinham uma versão de terror. Eram histórias de ação e muito sexo, bem ousadas para uma época de censura por todos os lados. 

Hoje essas pequenas joias estão esquecidas, são itens de colecionador. "Playcolt" era a melhor, contando as aventuras de um agente parecidissimo com o Alain Delon, que se envolvia com uma mulherada às vezes não convencional, como uma transexual chamada Aretha - sim, uma loiraça que tinha um "acréscimo" em sua anatomia. Bem me recordo de algumas dessas histórias divertidas.

Há algum tempo tento descobrir onde adquirir essas preciosidades. Tentei pelo Twitter, Orkut e outros meios, sem sucesso. Parece que a minha geração não deu valor e as seguintes ignoraram o destino dessas histórias. Encontrei em buscas pela internet outras pessoas que citam essas histórias em quadrinhos, narram episódios ou já colocaram seu estoque à venda no Mercado Livre. Não tive essa sorte, mas ainda não desisti.

Para mim, aquelas histórias eróticas marcaram. Não pela sacanagem em si, mas por mostrar um mundo que eu logo iria chafurdar para depois criar outras histórias (coisas de criança) e até mesmo incentivar meu hábito pela leitura (minha mãe conta que aprendi a ler com 5 anos e com muita rapidez, o que me levou a pular a primeira série do antigo primário diretamente para a seguinte). A questão do sexo já é outra história.


Difícil ver histórias tão bem elaboradas como aquelas. Tinha margem até para o cafona, como uma cama voadora em uma das histórias de "Playcolt". Agora é pornografia pura. O que chegou mais perto foi a fantástica e bizarra "Black Kiss", de Howard Chaykin, de 1991, uma mistura de terror, comédia e sexo, abusando de violência para contar a história de duas "irmãs" gêmeas que se envolvem com um viciado em drogas que foge da polícia, acusado do assassinato da mulher e da filha. Essa eu comprei (os quatro volumes) e guardo como item raro de colecionador há 19 anos! Pretendo até escanear a história para disponibilizar o download...

Para constar, ainda procuro exemplares de "Playcolt", "Frígida", "Conde Dinho", "Máfia" e "Quadrinhos Eróticos", todos daquela época, para meu acervo!!! Quem puder me dar uma indicação, agradeço!

sábado, 13 de novembro de 2010

Réquiem para Monteiro Lobato


De vez em quando vasculho a internet em uma onda de nostalgia para ler sobre programas da minha infância, com a curiosidade típica de saber o que aconteceu com as pessoas que deles participaram. O "Sítio do Pica Pau Amarelo" é o meu preferido, pois me traz de volta toda aquela inocência, aquele período puro, onde nada era problema, somente novidade, uma época que, relembrada, sempre traz um sorriso autêntico de saudosismo.

No caso do "Sítio", nessas minhas viagens ao passado descobri que o ator Ivan Senna, que interpretava o João Perfeito, faleceu em maio do ano passado (http://centraldenoticias.wordpress.com/2009/05/25/obituario-ivan-senna/). Na foto acima, ele aparece à esquerda do Visconde de Sabugosa (André Valli, que também já nos deixou). A cada ator daquela maravilhosa série que partia, eu sentia que ia um pedaço da infância. As mortes das eternas tia Nastácia e dona Benta - respectivamente Jacira Sampaio e Zilka Sallaberry - me levaram às lágrimas. O mesmo quando morreu o Valli. Foram personagens marcantes para mim e com certeza para muitos na minha faixa etária.

Não há como não comparar o atual "Sítio" com o antigo. A versão atual não tem mais aquela ingenuidade. Não gosto porque mostra algo que me deixa triste: as crianças de hoje deixaram de ser tão puras. Desde cedo são bombardeadas com a violência dos desenhos atuais, dos videogames, dos filmes para adultos em que elas entram sem serem barradas e com a conivência dos pais...

Os desenhos que assistiamos quando criança tinham violência? Sim, tinham, mas uma violência caricata, exagerada ao extremo para ser imediatamente suavizada com nossas gargalhadas. A de hoje faz a criança querer reproduzir aquilo com o coleguinha, na escola... Quem sabe não foi por isso que aquele garotinho matou o colega a queima roupa, com um revólver que havia trazido de casa?

Dizer que elas têm a conivência dos pais para assistir filmes para adultos não é exagero. Comentei recentemente no Twitter, um dia após assistir o (maravilhoso) "Tropa de Elite 2", que fiquei pasmo pelo fato de haver uma criança de pelo menos 7 anos de idade na plateia... acompanhada dos pais. Da minha geração não o são, pois desta os filhos ainda são criados do mesmo modo como o fomos pelos nossos genitores.

Em nossa infância, não havia todo esse lixo que hoje temos, com grupos de pagode armados de gostosonas seminuas, letras sofríveis e coreografias libidinosas demais; nem pseudo funkeiros que divulgam a homofobia, o machismo, a promiscuidade e a violência gratuita. O que quer que pudesse haver nesse sentido, nossos pais tinham o controle. Aprendemos a respeita-los e desse modo passar adiante essa necessidade de respeito.

Como passei de uma lembrança de infância a uma observação sobre o comportamento infantil hoje? É porque fico pasmo de ver crianças manipulando seus pais, fazendo escândalos nos lugares públicos para ter alguma coisa, terem péssimo comportamento com a família e com estranhos, até mesmo agredindo seus genitores. Por isso, tento enxergar onde está a culpa disso tudo, então me lembrei do "Sítio", que me lembrou de minha infância, da forma como meus pais me criaram e da cultura de massa.

E ainda querem censurar Monteiro Lobato... Tenha dó!!!!

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...