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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Comentário - "O Tempo e o Vento", 1985


Tarcisio Meira e Louise Cardoso como Rodrigo Cambará e Bibiana Terra

Das minisséries brasileiras, "O Tempo e o Vento", de 1985, nunca mais me saiu da memória. Inspirada em "O Continente", primeira parte da saga da família Terra Cambará no Rio Grande do Sul, imaginada por Érico Veríssimo, a adaptação foi uma das melhores já produzidas para a televisão. A partir de segunda-feira, 2 de janeiro, a minissérie volta a ser exibida pelo canal Viva, às 23h15 (horário de Brasília). Espero que seja na íntegra, com todos os seus 25 capítulos.

"O Tempo e o Vento" seguiu fielmente a fragmentação narrativa de Veríssimo, começando em 1895, para depois, por meio das memórias de Bibiana Terra Cambará (nessa fase interpretada pela saudosa Lélia Abramo), retornar até 1777 para contar a origem dessa família com Ana Terra (Glória Pires), filha única de Maneco Terra (Aldo César) e Henriqueta (Marlise Saueressig), no interior do Rio Grande, com os irmãos Horácio (Marcos Breda) e Antônio (Camilo Bevilacqua). A vida pacata muda com a chegada do indígena Pedro Missioneiro (Kazé Aguiar), com quem Ana irá se envolver e ter um filho, iniciando uma saga que vai continuar em 1825 com a chegada do capitão Rodrigo Cambará (Tarcisio Meira) à vila de Santa Fé, para onde Ana se mudara. Rodrigo, fanfarrão, louco por guerras e mulherengo, se apaixona por Bibiana (Louise Cardoso), filha de Pedro Terra (Ivan de Albuquerque) e Arminda (Eloísa Mafalda) e neta de Ana Terra. A trama salta depois para 1845, quando junta-se à família a "teiniaguá" Luzia (Carla Camuratti), nora de Bibiana (Lilian Lemmertz) e esposa de Bolívar (Daniel Dantas), mulher que provoca conflitos familiares, e, finalmente, volta a 1895, com a família Terra Cambará, liderada por Licurgo (Armando Bógus), neto de Bibiana, sitiados em seu sobrado de Santa Fé, em meio a lutas políticas que consolidaram a formação do Rio Grande do Sul.

Nessas quatro fases históricas - "Ana Terra", "Um certo capitão Rodrigo", "A teiniaguá" e "O sobrado" - toda a história tem um ponto de vista feminino, primeiro com Ana Terra e depois por Bibiana, em sua relação com os seus homens - Pedro Missioneiro, Pedro Terra, capitão Rodrigo Cambará, Bolívar Terra Cambará e Licurgo Cambará. Todos ilustram bem a formação não apenas do povo gaúcho, mas, como num microcosmo, também a da nação brasileira nos séculos 18 e19.

Fiquei muito feliz em poder adquirir a minissérie, mas só por uns instantes. Até hoje me sinto lesado pela Globo Video. A versão em DVD foi remontada em uma narrativa linear da qual foi excluído o episódio "A Teiniaguá", de forma que não pude rever Carla Camuratti e Lilian Lemmertz em seu "duelo" de nora e sogra no sobrado da família. Imperdoável! Fora que para tapar esses buracos recorreram a enxertos de outras cenas, causando várias imagens repetidas, e só quem viu pela televisão ou leu o livro pode entender a história. Fiquei muito decepcionado e fiz questão de expressar minha opinião no site da Saraiva, onde comprei. Acho até que boicotaram o que escrevi.

A adaptação dessa imortal obra-prima traz ainda como música de abertura uma versão instrumental de "Passarim", de Tom Jobim, é uma das minhas preferidas até hoje. Belíssima, que pontua bem a saga de paixões, lutas e solidão da família Terra Cambará.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Teledramaturgia em crise?


Alguns tweets trocados ontem à noite com as jornalistas Tricia Cabral e Cristiane Batista, mais alguns comentários no próprio Twitter e em meu Facebook a respeito da novela “Vale Tudo” confirmam o que eu mais suspeitava: a teledramaturgia brasileira, que se tornou produto de exportação, consagrou carreiras e posicionou a rede Globo no seu padrão de qualidade, está descendo a ladeira, acelerando a cada dia.

A reprise de um grande sucesso como “Vale Tudo” é diferente daquelas costumeiramente vistas no “Vale a Pena ver de Novo”. No canal Viva, a telenovela está sendo reexibida na íntegra, segundo eu verifiquei, sem aqueles cortes do programa vespertino global. O que também pesa a seu favor na audiência é a sua atualidade e, mesmo, a curiosidade de rever atores 22 anos mais jovens. .

Os comentários a que me referi revelavam saudades de outras telenovelas marcantes, como “Cambalacho”, “Rainha da Sucata”, “Que Rei sou Eu?”, “Vereda Tropical” e outras das décadas de 1970 a 1990, e também referências à trama de 1988 sobre desonestidade, corrupção e esperança de um país. Pudera: tínhamos tramas muito legais e atores de gabarito que as sustentavam. Esses estão partindo aos poucos, e dos que ainda estão na ativa, poucos são os que ganham papeis de destaque – nem todos tem a sorte de Fernanda Montenegro, Suzana Vieira e Renata Sorrah, por exemplo.

É bom rever Glória Pires, Antônio Fagundes, Regina Duarte, Beatriz Segall, Reginaldo Farias e outros do time de peso da dramaturgia em ação, já que o espaço hoje vem sendo ocupado por rostos bonitos mas inexpressivos e atuações sofríveis, que muitas vezes acabam esquecidas por conta do açougue televisivo de carnes em abundância escapando de trajes mínimos – quando estes existem. Sim, quem acha excelente a atuação de Marcos Pasquin e Humberto Martins? Alguém?

Da nova safra do final da década de 1980 e início de 1990, poucos escapam. Eu coloco nessa lista Giulia Gam, que anda meio apagada ultimamente. Os bem mais novos vieram de “Malhação”, uma série que, creio eu, mais idiotiza do que distrai.

Enfim, a lista de perdas é grande – Gianfrancesco Guarnieri, Paulo Gracindo, Sandra Bréa, Norton Nascimento e outros. Fico feliz de ver que a grande Cleyde Yáconis está ali, firme, perfeita como atriz completa. Tem muito a ensinar a esses modelos que se metem a atuar (bem o disse Glória Pires, há alguns anos).

Quanto às tramas, bom... Refizeram “Ti-ti-ti” colocando um humor meio forçado para meu gosto, com abusos do ar de malandragem nos diálogos. As demais novelas repetem fórmulas antigas e abusam de clichês. Não há reviravoltas surpreendentes (por que não matam o personagem principal?), fica tudo ao gosto do público, o que lhes tira a autenticidade - quem não se lembra do casal de lésbicas de “Torre de Babel”, apagadas da trama porque a “família brasileira” não concordava com aquilo (mentalize: aí a mãe de família põe chifre no marido, que por sua vez caça travestis de madrugada, e o filho de ambos participa de rachas e depreda o patrimônio alheio)?

Aqui e ali ainda aparecem boas surpresas, como “Senhora do Destino” e uma ou outra novela do Manoel Carlos com suas Helenas ou de Glória Perez. De qualquer modo, há muito tempo deixei de gostar de telenovelas. Impossível voltar a gostar – com essa safra péssima de atores novos e tramas superficiais, não dá. O jeito é entrar na máquina do tempo. Mesmo sabendo há duas décadas quem matou Odete Roitmann (nova geração: assista para saber quem, como e o motivo), vale a pena ver de novo!

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...