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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Comentário: "Homem de aço" (Man of steel, 2013)




Por William Gaspar*

Esperança. O símbolo kryptoniano no peito do Superman sempre definiu bem o que a maioria dos fãs sentem em relação às produções relacionadas ao herói. Fazer comparativos aos dois primeiros filmes do “escoteiro” é no mínimo justo e tentar esquecer seu “retorno” é uma tarefa que levaremos para a vida, mas não vou fazer comparações e sim definir a nova trajetória do “Homem de Aço”.

Bom, vamos começar do começo. Chamado para dirigir, Zack Snyder tenta desesperadamente não ser ele mesmo, emulando outros cineastas com seu filme. Comparar os flashbacks em Smallville com o trabalho feito no filme “A Árvore da Vida” é obrigatório, com o alienígena crescido na terra contemplando a beleza da vida e explorando os EUA. São nessas cenas que o público consegue se relacionar com Clark Kent (Henry Cavill), vê-lo não como um alienígena, mas como alguém com sentimentos tão comuns quanto os seus.

Logo a seguir, o Homem de Aço pega alguns brinquedinhos emprestados da super caixa do J.J. Abrams, enchendo a tela com efeitos e brilhos que ofuscariam até a minha querida Enterprise. Isso tudo combinado a um resquício do estilo do próprio Snyder, que filma lutas como ninguém, com seus takes mais longos e físicos, privilegiando o impacto. Aqui, não só Kal-El parte pra porrada, como até seu pai, Joe-El (Russel Crowe, ótimo), abandona a fachada de cientista calmo e nerd para revelar-se um sujeito cheio de recursos e capaz de tudo para defender a família e o planeta. O mix fica completo com aquele visual dessaturado, meio bruto e sisudo, que Nolan tornou tão popular em O Cavaleiro das Trevas.

Explicando a história em fragmentos, com boas elipses (o corte que acontece depois da queda da nave no Kansas é surpreendente) e flashbacks emotivos, O Homem de Aço não é um filme de heróis típico. Entre as cenas emotivas, permite-se explosões e ação no melhor estilo Os Vingadores (um dos capangas do General Zod é o Hulk perfeito) com direito a momentos que lembram a devastação maluca dos Transformers e as lutas do Dragon Ball Z, com deuses se engalfinhando e cidades caindo.


Entre esses momentos épicos e tops, há um filme menor ali, sobre um homem em busca de sua própria identidade, alguém em uma jornada de autoconhecimento que o levará a diversos cantos dos EUA, tendo como bagagem apenas os valores dos pais. O roteiro de Nolan e David S. Goyer é bastante claro na maneira como vê o Superman. Como nas análises clássicas, aqui ele é o messias, o enviado à Terra para nos guiar, incompreendido e temido por nós. Há pelo menos três passagens que não deixam margem a dúvidas: Superman é Jesus Cristo em "O Homem de Aço" (o vitral da igreja, a menção à idade e a partida cruciforme da nave de Zod) e as implicações religiosas desse fato, ainda que pouco exploradas (já que ia encher o saco se explorassem mais), interessam os realizadores. É aí que entra o realismo de Nolan: no interesse pelas implicações filosóficas, sociais e religiosas da descoberta de que não estamos sozinhos no universo (mas isso é papo de nerd. Vamos esquecer).

Seguindo... Com sua atuação, Henry Cavill não deixa espaço para qualquer, eu repito, qualquer comparação que poderia existir com Christopher Reeve. Ele é seu próprio Superman, Clark Kent e Kal-El. Interpreta com emoção e com a ferocidade que determinadas sequências requerem. No meio de tudo isso, arranca suspiros de parte do público aparecendo sem camisa em diversas ocasiões.

Igualmente incrível (e maluco) está Michael Shannon, mais surtado do que nunca. Seu General Zod é obcecado e irredutível, mas tem suas razões para tal, já que é um escravo de seu próprio papel, a representação alienígena da ordem e da proteção. A ele nunca foi dada nenhuma opção de escolha pela sociedade kryptoniana - e isso o torna um vilão dos melhores que já vi em qualquer filme baseado em quadrinhos.

O elenco secundário (lê-se: que ganha menos) é igualmente determinante no sucesso do filme, para situar o herói entre dois mundos. De um lado, Kevin Costner e Diane Lane. Do outro, Russel Crowe e a mulher que interpreta Lara (sabe Deus o nome da atriz), cada um representando um conjunto moral que Superman necessitará para definir seu lugar.

Ah não posso esquecer a gatinha da Amy Adams, que interpreta a icônica jornalista investigativa Lois Lane. Ainda que a personagem esteja perfeitamente alinhada com a criação das HQs, a necessidade de colocá-la no centro da ação é um dos pontos fracos do filme. Provavelmente inseguros se o público se relacionaria efetivamente com Clark, deram a Lois a função de ser a âncora da humanidade no filme. O problema é que isso gera alguns momentos incompreensíveis (como o convite para subir a bordo da nave de Zod. Não sei o que ela tinha que fazer lá).

Um dos momentos mais controversos do filme é a batalha final entre Superman e o General Zod. A decisão de mostrar o super-herói - até hoje um dos grandes símbolos do altruísmo, benevolência e a incapacidade de matar - assassinando seu oponente (Lordes da justiça?).

Com certeza vai ter gente criticando e falando bobagem, mas cá entre nós, heróis assim não fazem mais o estilo dos fãs. Os tempos são outros e como o próprio diretor disse uma vez, a inocência terminou.

Vale lembrar, porém, que não é a primeira vez que Superman mata em uma história. O próprio General Zod e dois capangas figurantes de outra a dimensão foram mortos pelo herói usando kryptonita em Superman #22.

O monstro Apocalipse também foi morto pelo Superman - mas voltou à vida depois - na série A Morte do Superman. Mais recentemente, a versão "Novos 52" do kryptoniano matou parademônios, que foram estabelecidos como criaturas inteligentes.

Nesse mesmo universo, ele desferiu um golpe fatal em uma humana possuída (Superman #3) para impedi-la de destruir Metrópolis - no processo, apenas a entidade que a manipulava morreu, mas Superman não sabia que isso aconteceria. Outras criaturas e personagens foram mortos pelo Homem de Aço em sua loooooga história, mas a grande maioria em arcos ambientados em realidades paralelas ou outras mídias. No game Injustice, por exemplo, o Kal-El do futuro faz inúmeras vítimas. O Superman assassino, portanto, não é uma exclusividade de O Homem de Aço.

Por fim, o espetáculo visual que é "O Homem de Aço" escapa imune e diverte, com um desfecho que marca quem é este novo e sisudo Superman, que chega adaptado ao momento, carregando os valores pelos quais é conhecido, mas alguém que é capaz de reagir e tomar o controle da situação. Ainda que seu "S" represente a esperança, um Homem de Aço para os novos tempos.

* Jornalista

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Comentário: "O cavaleiro solitário" (The lone ranger, 2013)


Por William Gaspar

Fraco. Posso definir assim o filme “O cavaleiro solitário”, faroeste da Disney estrelado por Johnny Depp e Armie Hammer.

Com tudo fraco, a não ser a duração, ele é um filme esquizofrênico, pouco engraçado em suas tentativas de auto-paródia e parece ser um faroeste feito por pessoas que não entendem nada do gênero. O diretor Gore Verbinski e seus roteiristas pegaram uma ideia promissora e colocaram uma bala de prata na cabeça dela (já que não a usaram no filme).

Depois de acertar com sua paródia animada de faroeste, "Rango", Gore Verbinski parece não ter mais munição. "O cavaleiro solitário" não tem nada uniforme, além de oscilar e se debater o tempo todo enquanto tenta encontrar o ritmo certo.

Isso sem falar do papel do Johnny Depp (de quem sou fã incontestável. Só acho alguns papéis superestimados). Exageradamente pintado, ele tentou recriar a fórmula de um certo capitão, mas não teve muito sucesso, apesar da atuação boa. Depp se esforça para achar o tom, mas ele e Hammer não têm química.

Os vilões do filme também são fracos. Um ficando mole no decorrer da trama e outro se mostrando um monstro educado. Nada que marque uma possível franquia. Isso sem falar da participação de Helena Bonham Carter.  Só Deus sabe o que ela fazia neste filme, ou quem ela era. Completamente desnecessária e posta em cenas disformes.

Resumindo, acho que o filme não vale o ingresso, o que explica o fracasso nas bilheterias americanas. Para quem prefere conferir, o filme estreia aqui em Manaus nesta sexta-feira (12). No mais, entre acertos e erros, dou nota 4.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Comentário - "Homem de ferro 3" (Iron man 3, 2013)


Por William Gaspar

O homem faz o traje ou é o traje que faz o homem? Com essa frase dá para começar a falar do filme.
Quem acompanha o Homem de Ferro desde os “princípios dos primórdios”, como eu, vai notar as referências no filme tiradas diretamente das edições 61, 62 e 62 da revista “O invencível Homem de Ferro”, que é quando o “olimpiano” Stan Lee dá ao Tony Stark sua fase crítica de personalidade - é também o primeiro momento em que o personagem realmente demonstra real fraqueza humana dentro da história. Aliás, essa é uma jogada muito boa do Stan que pode ser vista em vários outros personagens como na edição consagrada do amigo da vizinhança, “Homem-Aranha nunca mais”.

Voltando ao filme, o conflito interno que Stark vive no filme, por não saber se poderá proteger a Pepper e o resto de seus amigos, tira as atenções apenas das armaduras e dos combates, que neste filme são um espetáculo à parte, mas não pretendo falar dos efeitos do filme, já que R$ 200 milhões são os responsáveis por eles...

Outra grande sacada do filme foi adaptar o “Patriota de Ferro”, uma vez que ele não entraria tão cedo na história se fossemos seguir os fatos passo a passo. Apesar de ele não ser originalmente encarnado pelo Rhodey, achei justo, só acho que poderiam ter feito uma armadura nova e não simplesmente adaptar a “Máquina de Guerra” (grana tinha).

Durante o desenrolar da trama, Stark tem que se mostrar forte e astuto, porém em situações nas quais a armadura não pode ajudar, uma vez que ele fica na mão uma centena de vezes, por “n” motivos, e faz isso a maestria e engenhosidade do personagem mais esperto da Marvel. Robert Downey Jr. merece muitos e muitos aplausos pela interpretação. Acho que ele nunca foi tão bem desde que interpretou Chaplin. Ele já entendeu a essência do personagem.

A presença de um garotinho fã do “Homem de Ferro” que ajuda Tony Stark no filme é um acerto lindo. Aliás, talvez este seja o melhor filme de todos, porque Downey Jr. consegue passar menos tempo dentro da lataria e mais tempo interagindo com outros personagens, sacaneando, ironizando e com isto reforçando para a audiência quem é mesmo este personagem.

Gwyneth Paltrow não fica só no “amorzinho” e com aquele ciúme de namorada exigente. Ela também entra na ação! E mostra um corpaço com tanquinho ao ajudar Tony Stark e combater os vilões junto com um exército de 42 Homens de Ferro! Não! Sério! Essa cena final é pra fazer qualquer nerd/fã/empolgado (eu incluso) se arrepiar da cabeça aos pés. É um balé de iron men no céu lutando, atirando, se moldando no corpo de Tony Stark…

Outra cena fantástica, para mim a melhor do filme, é aquela em que as pessoas caem do avião e são salvas por Tony Stark. É muito bem filmada, não é idiota, é linda e faz você ficar muito tenso até tudo chegar ao fim.

Vamos aos vilões. Ótimos também. Guy Pearce é um cientista nerd que acaba se transformando num cara poderoso, megalomaníaco, amargurado e malevolente ao ser ignorado por Tony Stark anos atrás. A atuação do ator britânico/australiano passa exatamente essa ideia obstinada dele de foco, determinação, muita loucura e vingança.

Isso sem falar no veterano Ben Kingsley, que rouba a cena. Ele está engraçadíssimo ao fazer a caricatura de um terrorista nos mesmos moldes de Osama Bin Laden. Podia dar tudo errado por ser um assunto bem complicado e perigoso, mas o cara é excelente e faz tudo com maestria, na medida certa. Só não achei justo o Mandarim ser quem é nesse filme (quem conhece vai me entender). Faltaram os anéis e tals e aquela porra toda, mas ficou até bom na história, uma reviravolta cômica.

Por fim alguns podem criticar o final meio calmo demais, o que não condiz com o resto do filme ou da série, que não acho que deva terminar nesta sequência, como muitos pensam. Na minha avaliação, é o melhor dos três, o mais redondo, o mais engraçado, o mais inteligente, o mais eletrizante e competente.

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...