Mostrando postagens com marcador Brian De Palma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brian De Palma. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Comentário: "Carrie, a estranha" (Carrie, 2013)

Impossível esquecer Sissy Spaceck no papel-título em 1976, na primeira adaptação do livro "Carrie", de Stephen King, dirigida por Brian De Palma. Difícil também não lembrar a sequência perfeita do baile, o clímax do filme no qual a adolescente desajustada e atormentada pelos colegas de escola libera sua fúria em seus poderes telecinéticos para reduzir a escola a escombros e liquidar seus algozes, com um preâmbulo de suspense de fazer prender a respiração e uso da técnica do split screen (divisão da tela) para mostrar o massacre perpetrado pela garota banhada em sangue - resultado de uma brincadeira de péssimo gosto da patricinha Chris Hargensen (Nancy Allen) em conluio com seu namorado encrenqueiro e violento, Billy Nolan (John Travolta).

Ainda assim, tentando controlar essas lembranças, fui assistir à terceira versão de "Carrie, a estranha" (a segunda, lembrem-se, foi feita para a televisão norte-americana em 2002, com Angela Bettis no papel principal e mais fiel ao livro - exceto pelo final ridículo). Depois, em conversa com um amigo cinéfilo, constatei que, de fato, esse remake dirigido por Kimberly Peirce se assemelhou em muito à refilmagem de "Psicose" feita por Gus Van Sant em 1998 - um erro terrível. O prólogo do filme foi diferente, mostrando a gênese de Carrie nas mãos de Margareth White (Julianne Moore, em minha opinião desperdiçada nesse filme. Piper Laurie se saiu muito melhor no original, nada caricata). No entanto, no restante é como se praticamente a obra de De Palma tivesse sido copiada quadro a quadro - tem as garotas jogando volei (apesar de ser na piscina), a primeira menstruação de Carrie (Chlöe Grace Moretz) no banheiro com o detalhe do sabonete caindo ao chão, diálogos praticamente iguais, o garoto na bicicleta que sofre o primeiro revide telecinético da adolescente, o ataque à mãe de Carrie em uma cena previsível a ponto de causar risos em vez de choque...

Poderia ser diferente, como a versão para a tv, sem usar o primeiro roteiro adaptado. Refilmagens já são toscas, com raras exceções que superam o original (remakes de "O bebê de Rosemary" e "Chinatown", por exemplo, são inimagináveis até aparecer outro Gus Van Sant). Em "Carrie", para não detonar 100 por cento o filme, a sequência do baile é bacana, mais violenta porém menos genial que a da primeira versão. Para não ficar tão feio, talvez, algumas situações novas foram colocadas nessa readaptação, relativas às personagens Sue Snell (Gabriella Wilde, no papel que já foi de Amy Irving) e Rita Desjardin (Judy Greer, professora de educação física de Carrie e que se torna sua amiga, rebatizada como miss Collins na primeira versão, quando foi interpretada por Betty Buckley e foi morta no "Baile Negro"), um pouco mais fiéis ao livro. Mas é só. Outro fato meio "destoado" foi a beleza de Chlöe, um tipo muito patricinha para interpretar Carrie - no livro, é uma garota sem atrativos, vitimada pelo bulliyng dos colegas de escola (coisa que Sissy Spaceck e até Angela Bettis - apesar de meio caricata - conseguiram caracterizar muito bem nas duas versões anteriores). Porém, o filme serve pelo menos para ocupar uma tarde ociosa de domingo.

domingo, 14 de julho de 2013

Comentário: "Carrie, a estranha" (Carrie, 1976)

Uma brincadeira que termina em um verdadeiro banho de sangue em "Carrie"

Em uma época em que a criatividade anda em baixa e a indústria cinematográfica investe pesado nos remakes, os fãs do escritor Stephen King aguardam a nova versão de “Carrie, a estranha”, primeiro livro do rei da literatura de horror norte-americana e também o pioneiro em suas adaptações para as telas. Enquanto o filme dirigido por Kimberly Peirce não estreia por aqui – a previsão é final de novembro deste ano -, vale a pena revisitar a primeira adaptação dirigida por Brian De Palma em 1976 (dois anos após o lançamento do livro).

Carrie White, interpretada por Sissy Spaceck (então com quase 30 anos, mas perfeita como uma adolescente de 14), é uma estudante que sofre bullying em sua escola e é dominada pela mãe, a fanática religiosa Margareth White (Piper Laurie). Solitária e introvertida, a garota descobre ser telecinética – capaz de mover objetos com a força da mente. E isso ocorre de uma forma brutal: quando ela tem sua primeira menstruação, durante o banho na escola após a aula de educação física. Desconhecendo a origem do sangue – uma ignorância forçada pela mãe, para quem tudo relacionado à sexualidade era pecaminoso -, a jovem pensa estar morrendo e é ridicularizada pelas colegas, que lhe atiram absorventes higiênicos e gritam obscenidades. Em meio a essa situação, uma lâmpada explode: é o primeiro sinal de poderes que se externam após um grande trauma.

O episódio do banheiro aproxima Carrie da professora de educação física, senhorita Collins (Betty Buckley), que se compadece da ignorância da garota, lhe faz ganhar a simpatia da colega Sue Snell (Amy Irving) e a inimizade da estudante Chris Hargensen (Nancy Allen), que recebe, juntamente com as outras alunas agressoras, uma punição pela brincadeira de mau gosto. A chegada da menstruação de Carrie será, para Margareth White, a confirmação do que ela chama de “maldição do sangue”. Mas caberá a Chris Hargensen, com cumplicidade do namorado Billy Nolan (John Travolta), o papel de mentora da humilhação para Carrie no baile de formatura da escola, quando os poderes da garota serão usados em uma vingança sangrenta.

Carrie em duas versões: Sissy Spaceck e Chlöe Moretz
 Os méritos do filme de De Palma nunca foram superados. Dono de um apuro técnico em seus filmes, ele criou sequências antológicas na versão de 1976, não repetidas nem na versão para a televisão, de 2002 (exibida eventualmente pelo SBT), ou na continuação de 1999, “A maldição de Carrie” (The rage: Carrie 2). O desenrolar de cenas tensas em câmera lenta, as diversas simbologias que aparecem ao longo do filme (como a cruz branca no asfalto em frente à casa de Carrie) e, sobretudo, o uso do split screen (tela dividida) na sequência do baile dificilmente terão páreo. Mesmo com Chloë Grace Moretz no papel-título e Julianne Moore como Margareth White, a nova versão só deve primar – se seguir a tendência de outros remakes – pelos efeitos especiais mais realistas, sobretudo porque, como os trailers divulgados já revelaram, o novo filme será mais fiel ao livro que a versão de De Palma. Na película original, a destruição se limita ao ginásio da escola. Na obra de King, assim como na versão de 2002 (que manteve a narrativa fragmentada do livro) e na de Peirce, a fúria de Carrie também se abate sobre a cidade de Chamberlain, onde se passa a história. Vem chumbo grosso por aí. Ou não.

(Publicado no caderno Plateia, jornal Amazonas em Tempo, junho/2013)

SÉRIES: "The boys" (2019-2026)

 Imagine uma versão do Super Homem ou da Mulher Maravilha que fogem totalmente ao modelo já criado nos quadrinhos e nos desenhos, filmes e s...